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Carta aberta ao presidente do IEFP

Caro dr. Francisco Madelino:

Confesso que fiquei surpreendido com a carta com que me "mimoseou" neste jornal. Pelos ataques pessoais e pelo mau serviço que prestou ao IEFP.

Vamos por partes:

1 - A sua missiva, para justificar a dimensão do desemprego, diz que "o desemprego é elevado em Portugal, na Europa e outros países industrializados do Ocidente". Não percebi: refere-se à Alemanha, onde o desemprego caiu para 7,4%, o valor mais baixo em 18 anos? Ou a França, onde o desemprego está nos 9,7%? Ou ainda a Itália (8,6%), Dinamarca (8,2%), Holanda (4,3%), Suécia (7,8%), Áustria (5%), Inglaterra (7,8%)…?

2 - É verdade que o artigo é crítico do IEFP, mas até faz a defesa da instituição. Quando diz que "até é possível que os dados do IEFP representem uma inversão lenta da tendência de aumento do desemprego (devido à recuperação da actividade económica)"; e quando critica o "aproveitamento que os Governos (este e os anteriores) fazem dos números do IEFP… frequentemente usados para contrariar as más notícias do INE".

3 - O dr. Madelino não tem nada a dizer sobre o aproveitamento dos números do IEFP? De cada vez que se fala em aumento do desemprego surge um governante a contrapor os dados do IEFP que, invariavelmente, apontam no sentido oposto. O senhor encontra pior "enxovalho" (para os trabalhadores do IEFP) do que este aproveitamento político? E sente-se confortável com isso?

4 - A certa altura diz que, "no desemprego, os dados são compatíveis com os do INE, nas variações, embora diferentes nos valores absolutos". Acha pouca a diferença? E por falar em tendências (de redução do desemprego), recordo-me de me ter dito, em 2009, que o desemprego estava a estabilizar. A taxa, recordo-lhe, estava em 9%... dois pontos abaixo do valor de hoje!

5 - Não lhe fica bem tentar embrulhar-me na luta política. Não tenho filiação partidária e nunca defendi, em 23 anos de jornalismo, a opção por este ou aquele partido. É por isso que o esforço em associar-me às teses de um "conhecido membro economista do agitprop comunista" (e logo o Partido Comunista…!) não merece mais do que uma gargalhada.

Para terminar aqui fica uma sugestão: ponha o IEFP a cumprir a sua missão. A saber, combater o desemprego através da melhoria das qualificações de quem perdeu o posto de trabalho.


Camilo Lourenço
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