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Chamem mas é o FMI. E já!

Se você, caro leitor, faz parte do grupo de pessoas que pensaram que os dois principais partidos portugueses

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Se você, caro leitor, faz parte do grupo de pessoas que pensaram que os dois principais partidos portugueses, confrontados com um desafio sem precedentes na III República, teriam sentido de Estado, tire o cavalinho da chuva. E se ainda sobrarem dúvidas, recorde-se das palavras dos principais intervenientes nas negociações, que saíram de cena deixando o caminho ainda mais minado do que antes.

E agora?, perguntará. Agora há duas hipóteses: ou o PSD se abstém na votação, e temos Orçamento, ou vota contra e temos uma crise política. A segunda opção é um desastre: porque em 2011 teremos de refinanciar 46 mil milhões de euros nos mercados financeiros (18 mil milhões só em Abril) e dificilmente alguém nos empresta aquele montante a valores sensatos. Admitindo que nos emprestam de todo…

A primeira opção (a de termos Orçamento), não garante, de per si, nada. Porque estamos sem credibilidade (os mercados não perdoam o facto de não conhecerem a execução orçamental de 2010) e porque o País está ingovernável (foi isso que provocou o buraco de dois mil milhões no OE 2010). Ou seja, ainda que venhamos a ter orçamento, dificilmente os juros baixarão dos 5% enquanto os investidores não conhecerem os dados da execução orçamental. É por isso que é melhor chamar já o FMI: a economia portuguesa não aguenta pagar, continuadamente, juros acima de 5% pela dívida que emite. Além de que, se esperarmos por 2011, os sacrifícios a pedir serão muito mais graves que os previstos na proposta de Orçamento.


camilolourenco@gmail.com



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