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Camilo Lourenço camilolourenco@gmail.com 27 de Julho de 2010 às 11:41

Como desvalorizar uma empresa… de 10,5 milhões de pessoas

O Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre a privatização da TAP.

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O Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre a privatização da TAP. O Ministério das Obras Públicas, que tutela a empresa, foi prolífico na resposta: defendeu a privatização, explicando que é "urgente" recapitalizar a TAP para que esta esteja preparada para enfrentar choques como os de 2008 (disparo do preço dos combustíveis) e 2009 (quebra do transporte aéreo). Tudo isto porque o ministério considera que, em caso de "remake" daquelas crises, a TAP pode não sobreviver. Mas esta não foi a única "pérola" da resposta: o documento diz (a fazer fé nas informações do jornal "i") que a TAP pode ser arrastada para "a ruptura financeira e para a impossibilidade de solver compromissos".

Ora aqui está um belo exemplo de como não tratar uma empresa pública. Uma coisa é António Mendonça cumprir a obrigação de qualquer governo: fornecer informação ao Parlamento. Outra é divulgar informações sobre a precariedade de uma empresa que precisa de vender. Ao dizer que a TAP pode não sobreviver a uma crise, o ministério desvalorizou o seu preço. Como economista que é, António Mendonça tinha maneira de não faltar à informação para com os deputados sem expor a delicadeza da situação da TAP. Além de causar um problema à gestão da companhia, está a delapidar o valor de um activo pertença de 10 milhões de contribuintes. Imagine, caro leitor, se os Governos dos anos 90 tivessem divulgado, aos partidos que se opunham à venda de empresas públicas, que os bancos a privatizar (até os de nome sonante!) tinham mais buracos do que um queijo suíço...

camilolourenco@gmail.com





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