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Como se resolve um cancro bancário

O governador do Banco de España disse ontem que a exposição das "cajas" ao sector imobiliário atinge os 217 mil milhões de euros.

Mais importante, reconheceu Fernandez Ordoñez, daquele total 100 mil milhões são "potencialmente problemáticos".

É preciso tirar o chapéu aos espanhóis pela forma como estão a resolver o cancro das "cajas", instituições de crédito que, na sua maioria, funcionavam como braço financeiro das autonomias.
Primeiro foi o Governo que forçou (literalmente) a reestruturação do sector, via fusões aceleradas, injecções de capital e nacionalizações. Tudo num mês e sem ligar peva aos protestos de gestores e accionistas. Agora é o Banco de España que, ao fazer o disclosure de informação sobre a situação real das "cajas", está a mostrar como se resolve um problema bancário (de forma decidida, rápida e com transparência): Ordoñez anunciou ontem que o responsável da área de supervisão irá a Londres explicar aos investidores o processo de reestruturação e admitiu que, se for preciso, será ele a falar aos mercados.

Ao agir desta maneira o Banco de España está a tirar pressão de cima do sector bancário, cortando cerce a especulação que foi crescendo nos meios financeiros sobre o real estado das "cajas" e que ameaçava afectar o acesso dos bancos espanhóis aos mercados).

O disclosure de informação, de per si, resolve o problema? Não. Mas acalma os investidores porque o mercado fica a saber que as autoridades espanholas (ao contrário das irlandesas, que esconderam o problema dos seus bancos até demasiado tarde), não estão a varrer a areia para baixo do tapete. E isso faz muita diferença.


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