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Custa muito explicar isto aos eleitores?

Enquanto o país vai assistindo a uma campanha eleitoral despudoradamente populista, há verdades que ficam por explicar.

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Uma delas é a acusação de que as medidas tomadas (e a tomar) vão provocar uma recessão profunda. Esta recessão, diz-se, é o contrário do que Portugal precisa. Porque a redução da dívida só poderá ser feita se a economia crescer. E a taxas elevadas: se o crescimento for inferior às taxas de juro, a dívida continuará a aumentar. Tornando-se, a prazo, insustentável.

Este raciocínio está correcto… quanto à conclusão: a economia tem de crescer. Mas está errado nos pressupostos: o que é preciso para crescer de forma saudável. Ou seja, a economia não pode crescer segundo o modelo actual (consumo), mas graças a exportações e investimento.

Mas as exportações até se estão a portar bem (+ 17% no primeiro trimestre), dirão os críticos. É verdade, mas mesmo que o actual ritmo se mantenha, não chegam para anular o défice externo. O que significa que o consumo tem de continuar a baixar (daí a recessão), porque já ninguém nos empresta dinheiro para vivermos acima das nossas posses. É o que significa manter um défice externo equivalente a 10% da riqueza produzida todos os anos (média dos últimos cinco anos)...

Moral da história: a recessão é como uma dieta que se tornou inevitável para equilibrar o organismo. E o pior é que o sacrifício não vai terminar aí. Porque a seguir teremos de refazer as prioridades: o consumo terá de crescer na medida em que não provoque défices externos elevados. Caso contrário daqui a cinco anos estaremos novamente de mão estendida. Custa muito explicar isto a quem vota?


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