Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião

E assim se perdem os corações, Pedro

Gostava de não acreditar no cidadão de rua. Aquele que diz "são todos iguais". Os políticos. Os que prometem uma coisa na oposição e fazem outra no Poder. Mas desta vez ele tem razão...

  • Partilhar artigo
  • 59
  • ...
Gostava de não acreditar no cidadão de rua. Aquele que diz "são todos iguais". Os políticos. Os que prometem uma coisa na oposição e fazem outra no Poder. Mas desta vez ele tem razão...

Vem isto a propósito das nomeações para a Águas de Portugal. Não conheço os nomeados, nem sequer sei se são competentes. Mas isso conta pouco, porque a esparrela é tão grosseira que espanta como Passos Coelho caiu nela.

Vejamos. Qualquer Governo usa e abusa de nomeações políticas. Este não é diferente. É por isso que a gritaria de PS, Bloco e PCP sobre este tema não me impressiona. Mas isso não afasta a gravidade da decisão em si. Porque há duas coisas em que Passos Coelho deveria ter pensado. A primeira é que não se nomeia para administrador de uma empresa alguém que tem um conflito judicial com ela: se de hoje para amanhã a Águas de Portugal alterar a decisão sobre a alegada dívida da Câmara do Fundão, alguém vai acreditar que Manuel Freches não influenciou o processo?

A segunda razão não é menos grave. Passos Coelho dirige um governo que está a tomar medidas tão duras (as mais duras em 37 anos de Democracia) que podem corroer o cimento que une a sociedade portuguesa (veja-se o estudo que diz que os mais pobres foram os mais afectados pela austeridade). Ora passar para a opinião pública a ideia de que há dois mundos, o dos boys (onde não há austeridade) e o dos tótós (que suporta tudo), é dar um grande tiro no pé.

Mas bem vistas as coisas, a decisão até teve um mérito: o de mostrar o poder descomunal dos lobbies nos partidos. Só esse poder era capaz de condicionar um 1º ministro desta maneira. Que vergonha.



camilolourenco@gmail.com
Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias