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Não há direitos adquiridos

A novela da concertacão social vai-se arrastando consoante as agendas políticas dos seus protagonistas. Com destaque para as duas centrais sindicais.

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A novela da concertacão social vai-se arrastando consoante as agendas políticas dos seus protagonistas. Com destaque para as duas centrais sindicais. Mas se o comportamento da CGTP não surpreende (nunca assinou nada), o da UGT é chocante. Porque João Proença sabe que o país está numa encruzilhada histórica. E ou encara o desafio da modernização com o pouco "firepower" que ainda tem (a sua capacidade de trabalho) ou fica para trás. Sendo que ficar para trás é optar pelo caminho do empobrecimento.

Dizem as centrais sindicais que estamos perante o maior ataque aos direitos adquiridos de quem trabalha. É curioso: nem Carvalho da Silva nem João Proença parecem perceber que não há direitos adquiridos; há direitos que se vão adquirindo. E essa "aquisição" é feita na medida da criação de riqueza. Isto é, só se pode distribuir aquilo que se existe, que se cria. Ora tanto um como outro estão fartos de saber que há pelo menos dez anos Portugal não cria riqueza; vive à custa dos outros. À custa de quem, nos mercados, aforrou e, por isso, nos emprestou dinheiro... Para vivermos acima das nossas posses.

O problema é que se acabou a papa-doce (leia-se mandaram-nos dar uma volta ao bilhar grande). Ficámos sós. Entregues a nós próprios. E agora temos de dar alguns passos atrás para poder voltar a crescer de forma saudável: com base na nossa capacidade criativa, não com base nas poupanças dos outros.

É difícil? É. Vai doer? Bastante. Mas há uma coisa que esta crise nos vai ensinar (centrais sindicais incluídas): de ora em diante, os direitos adquiridos só vão existir na medida em que soubermos criar valor.


camilolourenco@gmail.com
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