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Camilo Lourenço camilolourenco@gmail.com 15 de Março de 2013 às 00:01

O dinheiro não salva a geração "de" Martin Schulz

Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, admitiu que a Europa arranjou 700 mil milhões de euros para salvar os seus bancos, mas corre o risco de perder uma geração. Vamos esquecer aquilo que circula nos corredores de Bruxelas e Estrasburgo (Schulz está-se a posicionar para a cadeira de Durão Barroso…) para analisar a bondade do que disse.

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Salvar os bancos custou 700 mil milhões? Sim, mas…: 1 - Nem tudo foi dinheiro a fundo perdido (e está a ser devolvido a juros penalizadores). 2 - Podíamos recusar meter dinheiro nos bancos? Claro. Mas o resultado seria pior: deixaríamos de ter economia. Porque sem bancos não há economia.

 

Schulz está a fazer demagogia. Se quisesse ser sério teria dito outras coisas: que em vez de lamentar os 700 mil milhões colocados nos bancos, os Estados deviam estar a cozinhar um aperto da supervisão, para prevenir novos problemas na banca; e que alguma coisa está mal com a lei laboral e com o Ensino de uma Europa, a do Sul, com taxas de desemprego jovem ultrajantes (56% na Grécia, 55,9% em Espanha, 36,5% em Itália, 39% em Portugal…). Porque a Europa do Centro e Norte (v.g. Alemanha, Holanda e Áustria) têm taxas abaixo de 9%...

 

Alinhar em tiradas demagógicas para reforçar a ideia de que o Parlamento Europeu se opõe à visão da Comissão e da Alemanha, ou dar a entender que os 700 mil milhões gastos de outra forma salvariam uma geração (promovendo políticas activas de emprego - whatever that means), é algo que pode dar jeito a Schulz. Mas não serve para encontrar soluções que previnam novos colapsos do sistema financeiro europeu e o disparo do desemprego na faixa abaixo dos 25 anos no Sul da Europa.  

 

camilolourenco@gmail.com

 

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