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O caldo já entornou, resta minimizar os prejuízos

A Espanha diz que a situação do país não tem nada a ver com a Irlanda e Portugal.

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Portugal diz que os seus problemas do país são diferentes dos da Irlanda. A Irlanda diz que não é a Grécia. Com o apertar do cerco aos PIGS, é o salve-se quem puder: cada um tenta fechar a porta atrás de si, deixando os outros de fora.

Todos estes esforços para fugir ao carro-vassoura são patéticos. Porque qualquer destes países tem problemas tão graves que os tornam presas fáceis dos mercados (distraídos nos primeiros sete anos de vida do Euro). E isso tem consequências. A primeira é que ninguém tem interesse em que a Espanha, um gorila de 400 kg, caia das escadas abaixo. A segunda é que se França e Alemanha (gorilas de 800 quilos) tiverem de deixar cair Irlanda e Portugal, não hesitarão.

Mas há uma coisa que Alemanha e França se esquecem: os mercados não atacam Portugal, Irlanda e Espanha (a Grécia já não conta) por acaso. Atacam porque têm défices elevados e dívida pública galopante. Ou seja, compensa especular contra eles (porque a situação orçamental os obriga a depender dos mercados). O que leva a concluir que se Irlanda e Portugal caírem, nada garante que os mercados não vão, depois, atrás de Espanha. Ou seja, o caldo já entornou. Resta é minimizar os prejuízos: ajudar financeiramente os países na linha de fogo, obrigando-os a adoptarem uma dieta dolorosa. Ah! E pensar numa adenda ao Tratado de Lisboa, que preveja a criação de um Tesouro europeu, independente dos políticos, com poderes draconianos e mandato para aplicar sanções pesadíssimas.


camilolourenco@gmail.com



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