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O Estado não se recomenda. Mas eles não sabiam?

Começo pela declaração de interesses: sou um pequeno accionista da PT, que se opõe à venda da Vivo, mas que discorda do veto do Estado. Não tanto porque o veto é uma quase renacionalização, mas porque retira valor à própria PT (até pela batalha judicial que aí vem).

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Começo pela declaração de interesses: sou um pequeno accionista da PT, que se opõe à venda da Vivo, mas que discorda do veto do Estado. Não tanto porque o veto é uma quase renacionalização, mas porque retira valor à própria PT (até pela batalha judicial que aí vem). Além de nos criar uma imagem de País pouco recomendável para o investimento estrangeiro. Mas há outras conclusões a tirar. A primeira é que ficou definitivamente provado que não há centros de decisão nacional; há centros de interesses. Que votam consoante a cor das notas que lhes acenam.

A segunda é que há nesta história muita noiva que não é virgem mas que se porta como se fosse. O que é que isto significa? Que os privados que estão agora contra o Estado, porque lhes tramou um negócio das arábias (perdão, das Hespanhas…!) já viveram em concubinato com ele.
Quando lhes deu jeito. Mais: todos eles sabiam, quando entraram para o capital da PT, com que contavam. Ou seja, sabiam que quando a agenda pública não coincidisse com a privada, o Estado os atropelaria.

É irrelevante perguntar agora porque vetou Sócrates o negócio (para não o acusarem de falta de patriotismo? Para dar tempo à PT para preparar um plano B?). O que importa é perceber que um País que precisa do investimento estrangeiro como de pão para a boca, mostrou que não se importa de tratar os investidores a pontapé. Os mercados, que têm memória longa, não costumam perdoar estas coisas.


PS. - Depois dos episódios no final do jogo com Espanha, alguém duvida de que a selecção tem um grave problema de liderança?

camilolourenco@gmail.com




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