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Camilo Lourenço camilolourenco@gmail.com 23 de Dezembro de 2010 às 12:09

O Estado, o futebol e a mentalidade das empresas

É costume os treinadores dizerem que não ganharam (ou perderam) um jogo por culpa do árbitro.

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Porque não marcou um penalty a seu favor, ou porque o marcou contra a sua equipa. A prática revela um problema de mentalidade, bem português: o treinador conta com a inexistência de erros (intencionais ou não) do árbitro para ganhar, quando devia contar apenas com a produção da sua equipa. Ou seja, devia "jogar para marcar muitos golos, descontando o penalty não marcado, o penalty (inexistente) marcado contra si ou os golos mal anulados.

Há muitos empresários (e gestores) que têm esta mentalidade: jogam como se o Estado fosse neutro. Esquecem-se que não só não é neutro como funciona como um empecilho para a actividade das empresas: mete-se na frente (burocracia), tributa em excesso, cobra demasiado para a Segurança Social, faz concorrência desleal (ou deixa fazer - quantas empresas funcionam à margem da lei, concorrendo com outras que cumprem todas as obrigações?), gasta o que tem e o que não tem... A lista é longa.

É possível ter um país superdesenvolvido com um Estado destes? Não. Mas as empresas podem ser rentáveis, apesar desse empecilho. Os italianos, com uma classe política rasca, são um bom exemplo: as empresas operam "descontando" que uma parte do que fazem é para suportar a ineficiência do Estado. Mas ao desenharem a sua estratégia fazem-no de forma a terem de ser mais rentáveis do que as concorrentes estrangeiras. Precisamente para compensarem o "handicap" com que se confrontam à partida: um Estado ineficiente. Ora aí está um exemplo que temos de copiar.

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