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O que nós tínhamos... que já não temos... e pode custar caro

Quem tem dinheiro para emprestar está a dizer que escolhemos um caminho perigoso.

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Há semanas escrevemos aqui que o que nos separa de Itália, Espanha e Grécia era o consenso político e social em torno do programa de ajustamento (crónica de 7 de Agosto). Esse consenso é, neste momento, uma miragem. E os resultados estão à vista: depois dos avisos da Moody's, da Comissão Europeia e de Angela Merkel, foi ontem a vez de os mercados se incomodarem com essa perda de consenso: os juros da dívida portuguesa subiram em todos os prazos. E nem se pode dizer que tenha sido uma tendência europeia porque os juros de outros países, nomeadamente de quem está em dificuldades (Espanha e Itália) continuaram a cair. Ou seja, quem tem dinheiro para emprestar está a dizer que escolhemos um caminho perigoso.

Isto pode não parecer relevante para quem toma decisões políticas. Porque alguns dos decisores não percebem... e porque outros não têm qualquer experiência do mundo empresarial: quantos políticos sabem qual o impacte de 0,5% de subida dos juros nas contas públicas e nas contas das empresas? Pois...

Mas há uma segunda razão para estarmos preocupados: a Troika deu-nos mais tempo, uma revisão do défice em alta, mas não nos deu mais dinheiro. O que significa que tudo o que esteja além dos 78 mil milhões que a Troika emprestou terá de ser conseguido por nós próprios nos mercados. Sozinhos. E sem a ajuda da dupla EFSF/ESM. E com a ajuda do BCE (que só actuará se não nos desviarmos do acordado no programa de ajustamento...).

É a isto que Passos Coelho, Paulo Portas e António José Seguro têm de estar atentos. Cada um deles tem a sua agenda... mas há uma agenda mais importante: a do país. Got it?

camilolourenco@gmail.com

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