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O regresso do discurso rasca

Há áreas da vida de uma sociedade onde o consenso é imprescindível. A presença no Euro é uma delas.

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Com a bancarrota tornou-se claro que temos de mudar de vida para continuar no Euro. Mas esse mudar de vida implica sacrifícios sérios. De que o empobrecimento (leia-se viver com menos dívida), é a face visível. No fundo estamos a aprender que o nosso nível de vida depende da produtividade: enquanto ela não progredir, também não sobem os salários.

 

À medida em que os sacrifícios aumentam, v.g. mais impostos (porque não queremos cortar na despesa) aumentam as vozes que questionam a nossa presença no Euro. Na semana passada foi Silva Peneda, presidente do Conselho Económico e Social (e um dos "alter egos" de Cavaco Silva…) a sugerir que não se pode excluir o debate sobre a continuação no Euro. Logo de seguida surgiu Ferro Rodrigues a dizer que entre o Euro e a Democracia, prefere a segunda.

 

A declaração de Ferro Rodrigues é uma desonestidade intelectual, porque o Euro faz parte da Democracia. Mas como o ex-líder do PS quer surfar a onda populista, dá a entender que viver no Euro é igual a "fazer sacrifícios". No fundo está a dizer que prefere os tempos em que Portugal convivia alegremente com desvalorizações de moeda e surtos inflacionistas, adiando o desenvolvimento do país: no fundo as desvalorizações são uma forma de viver com salários baixos porque a inflação "come" os salários reais…

 

Que seja um ex-candidato a primeiro-ministro e um ex-ministro a dizer barbaridades destas é uma vergonha. E mais um sinal da péssima qualidade da classe política que governou o país. É nestas alturas em que percebo por que já levamos três bancarrotas em 34 anos...!

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