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O romantismo de Sampaio

Jorge Sampaio quer que a Europa emita obrigações para enfrentar a crise económica. A ideia é um bom exemplo de como a Europa não sabe o que fazer à vida. A emissão de obrigações europeias é, em si, má ideia? Não, desde que estivessem cumpridas certas condições.

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Jorge Sampaio quer que a Europa emita obrigações para enfrentar a crise económica. A ideia é um bom exemplo de como a Europa não sabe o que fazer à vida. A emissão de obrigações europeias é, em si, má ideia? Não, desde que estivessem cumpridas certas condições. A primeira, e mais importante, é que a Europa levasse o conceito de União Económica e Monetária às últimas consequências... criando um Tesouro Europeu. Temos uma moeda comum, gerida por um banco central comum, mas não temos política orçamental europeia. Nem quem a coordene: basta ver as desavenças em tornos dos défices orçamentais para perceber isso...

A segunda é que a União tivesse verdadeiros "líderes", como aconteceu nos anos 60, 70 e 80. Gente capaz de apresentar um plano comum, e credível, que não deixasse a confiança europeia bater tão fundo (principal razão para o agravamento da crise). Em vez disso temos um bando de primeiros-ministros e chefes de Estado que, provavelmente, atirar-se-ia à receita das "obrigações europeias" como sete cães a um osso: "É para mim, que tenho mais desemprego"; "Não, é para mim, que tenho mais população"; "É para mim, que estou a reconverter a economia"...

A proposta de Sampaio tem, contudo, um mérito: mostra que continua um sonhador… pouco dado a questões económicas. A mesma falha que o impediu de puxar as orelhas a António Guterres, o 1º ministro que perdeu a melhor oportunidade (em décadas) para pôr as finanças públicas nacionais em ordem.
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