Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 30 de outubro de 2014 às 19:54

Passos Coelho é uma surpresa. Positiva!

Não estou no grupo dos cidadãos que morrem de amores pela classe política. E a razão é simples: um país que em 35 anos passou por três pré-bancarrotas só pode ter maus governantes (à Direita e à Esquerda). E, por isso, sou daqueles que acha que precisamos de uma profunda renovação dessa mesma classe política.

É por isso que estou surpreendido com o primeiro-ministro que temos. Confesso que nunca tive boa opinião dele enquanto andou pelas "jotas". Mas o seu comportamento enquanto chefe do governo tem sido surpreendente. Em 2011, quando proferiu aquela célebre frase "Que se lixem as eleições!" disse para mim: "Quando se aproximarem as eleições logo vemos!".

 

Eu sei que o orçamento de 2015 tem o seu quê de eleitoralismo e disso tenho dado conta nesta coluna. Mas começo a desconfiar que isso se deve a duas razões: pequenas cedências do primeiro-ministro ao seu partido e grandes cedências ao parceiro de coligação. Ainda ontem, no debate quinzenal na AR, Passos Coelho repetiu a mesma lengalenga que o acompanha desde que chegou a primeiro-ministro: o país tem de continuar a fazer reformas e não pode fugir ao corte de despesa. Uma lengalenga que não bate com o que é dito pelos barões do PSD e, sobretudo, pelo CDS…

 

Numa altura em que já vivemos em campanha eleitoral, o comportamento de Passos Coelho é de louvar: entrou para o governo a falar em corte de despesa e tudo indica que vai chegar às eleições com o mesmo discurso.

 

É por isso que a coluna de hoje lhe é dedicada. Repetir que Portugal tem de reduzir despesa corrente (salários do Estado e prestações sociais) a um ano de eleições é algo que nunca vi nenhum primeiro-ministro fazer. Clap! Clap! Clap!

 

Jornalista de economia

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