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"L´État c"est moi", versão Sócrates

Na 6ª feira o país ficou a saber que, ao contrário do acordado com a Troika, o Ecofin antecipou de Setembro para Julho o calendário para reduzir a Taxa Social Única e os valores a pagar pelas empresas em caso de despedimento.

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A antecipação foi logo desvalorizada por José Sócrates, alegando que a oposição sabia que havia duas versões do documento. Há aqui dois vícios. Graves. O primeiro é pensar que decisões cruciais para o país devem ficar limitadas à esfera dos partidos (admitindo que a oposição sabia das duas versões…). A Democracia não é um "cozinhado" entre partidos; os eleitores têm de ser informados de decisões importantes (sim, importantes!) as como tomadas por Bruxelas. Ainda para mais porque o processo legislativo é lento, o que praticamente inviabiliza o calendário fixado…

O segundo é a falta de ética (comum a toda a governação de Sócrates). Está na cara que o Governo ocultou deliberadamente as alterações do Ecofin, com receio das eleições (é estranho, aliás, que o ministro das Finanças, ultimamente tão preocupado em limpar a sua imagem, tenha alinhado em mais esta jogada …). Mesmo que houvesse duas versões do "memorandum", o Governo tinha obrigação de dizer qual a versão aprovada.

É este o problema de José Sócrates: acha que o Estado se confunde com ele próprio, pondo e dispondo da "res publica" sem dar satisfações aos súbditos. Nunca houve no pós-25 de Abril um 1º ministro com tanto Poder e tão pouco respeito pelo jogo democrático. Não admira que haja cada vez mais gente, inclusive dentro do PS, que o quer ver pelas costas. As declarações de Almeida Santos, sobre a saída de Sócrates em caso de derrota, são elucidativas.
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