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Camilo Lourenço camilolourenco@gmail.com 28 de Março de 2011 às 11:47

Sócrates, Coelho e o crocodilo na torneira

Quando Sócrates se viu embrulhado nas confusões da licenciatura e do caso Freeport, alguém que o conhece dizia-me que o primeiro-ministro ia dar a volta por cima.

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E complementou assim: "Aquele tipo é capaz de fazer alguém acreditar que um crocodilo pode sair de uma torneira".

É a este ponto que Passos Coelho tem de prestar atenção na campanha eleitoral. Porque não tem essa capacidade. É um político que estuda bem os dossiers, mas não tem o marketing e a combatividade de Sócrates. E, sobretudo, não tem o seu sentido táctico. Ainda neste fim-de-semana se viu isso. Em entrevista à Lusa, Coelho voltou à estafada ideia da privatização da Caixa Geral de Depósitos. Pelo meio ainda disse que o banco deve sair do negócio da Saúde e dos Seguros.

É difícil entender esta falta de timing. Um político, para ter sucesso, tem de se focar em três ou quatro grandes problemas e mostrar ao eleitorado que tem solução para eles. O resto é fait-diver. A privatização da CGD não traz nada ao esforço que o PSD tem de fazer para se afirmar como alternativa a Sócrates. Como o não é a revisão da Constituição, outro tema que Coelho introduziu a destempo em 2010 e que permitiu a Sócrates contra-atacar, dizendo que o PSD queria dar cabo do Estado social.

Como se viu nos últimos dias, Sócrates é capaz de dizer uma coisa hoje (está tudo bem com a execução orçamental) e outra completamente diferente pouco depois (o PEC IV é fundamental)… Com a mesma convicção. Passos Coelho não tem esta expertise. E ou acerta no timing, ou corre o risco de desbaratar, daqui até às eleições, a vantagem que tem sobre Sócrates. Lembram-se de Barroso, em 2002?

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