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Camilo Lourenço camilolourenco@gmail.com 27 de Março de 2009 às 11:29

Um dia os mercados dizem "Não"

Na quarta-feira, o governo inglês não conseguiu colocar uma emissão de títulos do Tesouro a 40 anos. Explicações houve-as para todos os gostos. Uma delas diz que os investidores não viram interesse porque os títulos...

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Na quarta-feira, o governo inglês não conseguiu colocar uma emissão de títulos do Tesouro a 40 anos. Explicações houve-as para todos os gostos. Uma delas diz que os investidores não viram interesse porque os títulos não estão no grupo dos que o banco central pode recomprar (para injectar dinheiro na economia). Outra aponta o dedo ao monumental défice orçamental (11% do PIB em 2010) e ao raspanete do governador do Banco de Inglaterra ao Governo, que queria mais um pacote de estímulo à economia.

A segunda explicação é mais credível. Ela reflecte a dúvida dos mercados em relação a uma questão inquietante: quem vai tomar toda a dívida pública que se vai emitindo por aí? E não vale a pena meter a cabeça debaixo da areia, dizendo que os receios não atingem a Zona Euro (respaldada por um banco central sério). Porque os mercados já torcem o nariz à dívida de países como Grécia, Itália, Espanha e Portugal. Embora o fedor da dívida portuguesa, medido pela diferença de "spreads", seja (ainda?) ligeiramente mais tolerável...

O que se está a passar mostra o quão ténue é a fronteira entre a credibilidade e a desconfiança: há poucos meses os mercados nem pestanejavam perante estas emissões. E tendo em conta que vêm aí mais estímulos à economia (Portugal incluído), financiados por dívida (as receitas fiscais estão em queda...), convém voltar a olhar para o dinheiro como aquilo que ele sempre foi: um bem escasso. Porque um dia destes alguém se recusa a emprestar...
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