Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 24 de março de 2014 às 21:28

Vamos lá falar da pobreza

O INE diz que a taxa de pobreza aumentou em Portugal em 2012. O indicador, medido em função do número de pessoas que tem rendimento inferior a 409 euros, chegou a 18,7%.

Quando se faz uma análise "fina" dos números divulgados pelo INE, percebe-se que o maior contributo para o agravamento da taxas de pobreza veio dos jovens (24,2%) e dos desempregados (40,2%). Por seu lado, o risco de pobreza caiu entre os reformados (14,7%).

 

No total, se em 2012 contabilizássemos apenas os rendimentos do trabalho, transferências privadas e de capital, 46,7% da população estaria em risco de pobreza. Qual a conclusão a tirar?

 

A mais fácil é culpar a austeridade. Mas a austeridade apenas pôs a nu a fragilidade da economia. A culpa de uma taxa de pobreza tão elevada está nas políticas de longo prazo. Isto significa que a nossa pobreza radica nos erros de política económica, cometidos nas últimas três décadas. É bom recordar que o valor de 18,7% tinha sido atingido em 2005… quando não havia sequer crise financeira nem económica.

 

É claro que podemos todos virar a cara para o lado e chamar nomes ao FMI, Comissão e BCE, culpando-os de todos os males que nos acontecem. Não resolve nada. Porque a verdadeira razão para o desemprego elevado, particularmente entre os jovens, está na incapacidade para reformarmos a economia. E enquanto não enfrentarmos isso, não sairemos da cepa torta: daqui a 5 anos vamos continuar a dizer que sem prestações sociais (que não podemos manter, porque a economia não cresce), quase 50% da população portuguesa está perto do limiar da pobreza. A um mês de comemorarmos os 40 anos do 25 de Abril, convinha pensarmos um pouco nisso…

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