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Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 23 de julho de 2019 às 21:30

Viver à conta das próximas gerações

Esta política tem um custo: a transferência de responsabilidades da atual geração para a próxima. Ou seja, alguém está a viver à conta da geração seguinte. Sem que esta tenham qualquer culpa no cartório… e sem que seja chamada a pronunciar-se sobre isso. Não é bonito.

O Instituto de Gestão do Crédito Público tem feito um excelente trabalho a gerir a dívida do Estado. Demasiado bom mesmo, tendo em conta as dificuldades que o país passou na última década.

Porque digo "demasiado bom"? Porque uma das coisas que tem feito com sucesso é o adiamento do pagamento de dívida. Esta semana volta ao mercado para tentar alongar o prazo de dívida que se vence em 2020 (13,8 mil milhões de euros) e 2021 (14,8 mil milhões). A ideia é atirar estes reembolsos para 2026 e 2009 (ver site do IGCP). Ideia que, provavelmente, se repetirá em 2020 porque em 2022 há outros 14,6 mil milhões para amortizar…

Não é a primeira vez que o IGCP troca dívida em 2019 (houve duas operações, em maio e janeiro). Do ponto de vista financeiro, as operações fazem sentido: evita-se uma elevada concentração de amortizações em determinado ano e baixa-se o preço que se paga por dívida "nova" (a taxa de financiamento da República caiu para mínimos históricos - 1,5%).

Qual o aspeto menos positivo desta política? É o facto de Portugal não estar a gerar poupança suficiente para amortizar a dívida que se vai vencendo. A responsabilidade, como é fácil de perceber, não é do IGCP. É do governo, que em vez de utilizar o dividendo orçamental dos últimos quatro anos para amortizar dívida em circulação, canalizou tudo para a devolução de rendimentos.

 

Esta política tem um custo: a transferência de responsabilidades da atual geração para a próxima. Ou seja, alguém está a viver à conta da geração seguinte. Sem que esta tenham qualquer culpa no cartório… e sem que seja chamada a pronunciar-se sobre isso. Não é bonito.

 

Jornalista de economia

 

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