Carlos Bastardo
Carlos Bastardo 30 de janeiro de 2019 às 19:54

2019 é sinónimo de desaceleração económica?

A incerteza continua grande, o que exige uma constante atenção aos indicadores macroeconómicos que venham a ser divulgados nos próximos tempos.

Foram evidentes os sinais de desaceleração económica no mundo desde o verão. O ano de 2018 teve bastantes perturbações, de que são exemplos principais a guerra comercial EUA/China e EUA/Europa, o Brexit, as dificuldades de aprovação do orçamento italiano e as manifestações crescentes em alguns países, onde se destaca a França, com a contestação dos denominados "coletes amarelos".

 

O somatório dos impactos destas perturbações só poderia ter reflexos negativos na economia mundial.

 

O FMI apresentou há dias o seu World Economic Outlook, no qual reduziu o crescimento económico mundial de 2019 para 3,5% (3,8% em 2017 e estimativa de 3,7% em 2018). A estimativa do crescimento do PIB mundial em 2019 reduziu-se em 0,2% face à anterior previsão do FMI feita em outubro.

 

Se para os EUA a previsão de crescimento do PIB em 2019 se manteve nos 2,5%, para a Zona Euro houve reduções nas estimativas. A Alemanha deverá crescer este ano 1,3% quando em outubro se estimava 1,9%. França deverá crescer este ano 1,5% (1,6% em outubro). Itália deverá crescer 0,6%, menos 0,4% do que o FMI estimava em outubro. Espanha deverá crescer em 2019 2,2%, ou seja, o FMI manteve a anterior previsão.

 

Em sentido contrário, o FMI reviu em alta o crescimento do PIB no Japão de 0,9% para 1,1%. O PIB do Reino Unido deverá crescer 1,5%, o mesmo valor que em outubro.

 

Na Ásia, o crescimento do PIB chinês deverá ser de 6,2% em 2019, enquanto na Índia o PIB deverá crescer 7,5%. A economia brasileira deverá crescer 2,5% em 2019, contra 1,3% em 2018.

 

O comércio internacional deverá crescer em 2019 cerca de 4% em volume (mesmo valor de 2018, mas abaixo dos 5,3% registados em 2017).

 

A inflação prevista para 2019 pelo FMI para as economias desenvolvidas é de 1,7% e para as economias emergentes e em desenvolvimento é de 5,1%.

 

O FMI estima uma subida dos juros americanos em 2019: a taxa de depósitos a 6 meses deverá passar de 2,5% em 2018 para 3,2% em 2019. Para o Japão e Zona Euro, não há previsões de subida das taxas de juro.

Como os principais parceiros comerciais de Portugal estão a desacelerar em termos de crescimento económico, tal facto é um fator de risco para a evolução das exportações nacionais. Daí que as principais organizações internacionais têm estado a reduzir as previsões de crescimento do PIB português para níveis de 1,5% a 1,8% este ano.

Até o discurso dos políticos é mais realista (finalmente!...), uma vez que contra factos não há argumentos.

 

Caso os fatores de risco se atenuem ou dissipem, por exemplo, caso os EUA e a China cheguem de facto a um acordo que seja bem interpretado pelos mercados e que possa melhorar a confiança dos agentes económicos; caso a saída do Reino Unido da União Europeia seja ordeira; caso os PMI da indústria europeia comecem a inverter a tendência de 2018; caso a economia chinesa cresça mais do que as atuais previsões, poderemos ver nos próximos trimestres uma revisão em alta das previsões macroeconómicas. Caso tal não aconteça, poderemos ver novas revisões em baixa das mesmas.

 

Portanto, a incerteza continua grande, o que exige uma constante atenção aos indicadores macroeconómicos que venham a ser divulgados nos próximos tempos.  

 

Economista

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