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Carlos Bastardo - Economista 17 de Junho de 2021 às 14:20

A OCDE, como outros, recomenda ao país fazer reformas

A economia deve ter fundações resistentes e consolidadas, para não estar apenas dependente dos ventos favoráveis internacionais. E para que essas fundações sejam resistentes, é urgente reformar.

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No final de maio, a OCDE revelou o seu outlook económico, onde também abordou a evolução e perspetivas da economia portuguesa.

 

Após uma queda do PIB muito forte em 2020, a OCDE estima um crescimento económico do país de 3,7% em 2021 (apesar de um primeiro trimestre bastante negativo devido ao confinamento) e de 4,9% em 2022.

 

Ou seja, Portugal necessita de pouco mais de 2 anos para voltar aos níveis de 2019. Com a queda do PIB registada em 2020, Portugal regrediu para o nível de riqueza de 2016.

 

As estimativas da OCDE baseiam-se num crescimento do consumo privado de 3,6% em 2021 e de 4% em 2022, após uma queda de 5,9% em 2020. Isto levará à consequente redução da poupança.

 

A indústria irá recuperar e a chegada dos fundos europeus irá fortalecer o investimento. Estima-se que a formação bruta de capital fixo aumente 3,7% em 2021 e 6,9% em 2022, após uma queda de 1,9% em 2020.

 

Estima-se que as exportações possam crescer 10,4% em 2021 e 9,4% em 2022, após uma quebra de 18,6% em 2020.

 

A abertura de fronteiras será importante para o turismo, atividade muito importante para a economia portuguesa.

 

O desemprego que aumentou significativamente em 2020, especialmente nos segmentos de baixas qualificações e nos jovens, poderá recuperar à medida que a situação sanitária fique mais controlada, a economia volte à normalidade e à medida que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) seja implementado.

 

Quanto à inflação, a OCDE estima 0,9% para este ano e 1% em 2022.

 

Relativamente ao saldo da balança de transações correntes em % do PIB, a estimativa é de um défice de 1,1% este ano e de 0,4% em 2022.

 

A OCDE recomenda prudência devido ao elevado nível da dívida pública e, acima de tudo, recomenda a implementação das tão necessárias reformas estruturais.

 

Os responsáveis governamentais portugueses devem aproveitar o PRR para implementar reformas estruturais que permitam um crescimento económico sustentável no longo prazo. Esta recomendação vem na linha das recentes recomendações da Comissão Europeia.

 

Entre as principais reformas estruturais, apontam-se como urgentes a redução das barreiras à concorrência, medidas de apoio ao setor da educação, alterações ao nível laboral de forma a ganhar flexibilidade e competitividade no mercado de trabalho, mais apoios às empresas, redução do IRC para as empresas inovadoras, geradoras de emprego e que sejam sustentáveis, reestruturação e modernização da administração pública através de mais investimento na digitalização e simplificação de processos / procedimentos, com vista a aumentar a eficiência e a produtividade em setores como por exemplo a justiça.

 

Nos últimos anos, as reformas estruturais pouco evoluíram e com isso quem saiu prejudicado foi o país. As reformas estruturais são urgentes para estancar e depois encurtar a distância do país face aos seus parceiros europeus em termos económicos. Portugal tem perdido gradualmente posições no ranking do PIB per capita, estando cada vez mais na cauda da União Europeia.

 

A economia deve ter fundações resistentes e consolidadas, para não estar apenas dependente dos ventos favoráveis internacionais. E para que essas fundações sejam resistentes, é urgente reformar.

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