Carlos Bastardo
Carlos Bastardo 10 de dezembro de 2018 às 20:55

As metas macroeconómicas do Orçamento do Estado (OE)

O OE 2019, como esperado, vai continuar a incluir as célebres cativações, iniciando-se o ano com cerca de 1.000 milhões de euros, apesar de o limite máximo ser ligeiramente acima dos 1.300 milhões de euros. Não é um bom sinal!

O PIB em 2018 deverá crescer menos do que o previsto pelo Governo no respetivo OE, tendo em conta a evolução registada sobretudo no terceiro trimestre do ano, quer em termos comparativos com o trimestre anterior, como em termos relativos face ao trimestre homólogo de 2017.

 

As exportações estão a crescer menos que anteriormente, o investimento pouco cresce e o consumo privado dá mostras de abrandamento, apesar do aumento do valor do crédito ao consumo.

 

E 2019, como será? As metas macroeconómicas do OE são realistas? Não, penso que são otimistas. Tendo em atenção o quadro atual, o PIB deverá crescer em 2019 abaixo dos 2% (entre 1,6% e 1,9%). Como sabemos, o Governo prevê para 2019 um crescimento do PIB de 2,2%. As metas do crescimento das exportações, do investimento e do consumo privado são otimistas.

 

Uma economia aberta e de pequena dimensão como a portuguesa está sempre extremamente dependente da evolução económica dos principais parceiros.

 

A Alemanha, um dos principais compradores de produtos nacionais, apresentou uma evolução do PIB no terceiro trimestre negativa, com o PIB a cair 0,2% face ao segundo trimestre, facto que não acontecia desde o primeiro trimestre de 2015 (ou seja, há 16 trimestres). Mas, relativamente a outros importantes parceiros como Espanha e França, as principais organizações têm estado a rever em baixa as projeções económicas para 2019.

 

A economia portuguesa tem evoluído de feição desde 2015, graças a um enquadramento económico internacional muito positivo. Tal possibilitou que as exportações de bens e serviços subissem o seu peso no PIB de 26% em 2009 para 45% no ano passado. Contudo, nós sabemos que algumas componentes que pesam nas exportações, como o turismo e a indústria automóvel, são atividades cíclicas e que, em qualquer altura, poderão mudar de rumo, em função dos acontecimentos internacionais.

 

E os fatores de risco são variados: guerra comercial EUA/China e EUA/Europa, efeitos do Brexit, evolução das contas públicas em Itália, fraqueza do governo alemão, risco geopolítico Rússia/Ucrânia, continuação da subida dos juros nos EUA, eventual subida dos juros na Zona Euro (embora aqui as previsões apontem apenas para o último trimestre de 2019), o crescimento do populismo na Europa, a eventual subida da inflação, entre outros.

 

O OE 2019, como esperado, vai continuar a incluir as célebres cativações, iniciando-se o ano com cerca de 1.000 milhões de euros, apesar de o limite máximo ser ligeiramente acima dos 1.300 milhões de euros. Não é um bom sinal!

 

Se por um lado se regista a vontade do ministro das Finanças em ter as contas públicas controladas, por outro lado, estas já deveriam estar no mínimo equilibradas, sem recorrer a este balão de oxigénio chamado cativações.

 

Portanto, se 2018 foi um ano que ficou aquém das previsões, 2019 afigura-se para já e, tendo em conta as informações atuais, como um ano em que a realidade poderá ficar abaixo das estimativas do Governo.

 

Tudo vai depender fundamentalmente e, mais uma vez, do enquadramento internacional. Se for favorável, logicamente as contas do Governo poderão estar certas e tal ser positivo em ano de eleições, mas se o cenário piorar… a ver vamos!

 

Economista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

pub

Marketing Automation certified by E-GOI