Carlos Bastardo
Carlos Bastardo 22 de maio de 2019 às 20:49

Custo da energia e carga fiscal mais elevados da UE: mais do mesmo!

O custo da energia é uma variável determinante para o rendimento disponível das famílias portuguesas e é uma variável fundamental para o custo de produção das empresas industriais nacionais.

Há poucas semanas, as estatísticas confirmaram o que todos nós portugueses sabemos: é que a carga fiscal relativamente ao PIB continua a aumentar ano após ano.

 

Claro que quando o dado veio a público, vieram logo os especialistas do copo meio vazio e do copo meio cheio comentar em sentido antagónico um número matemático. Um número é um número e não há forma de o desvirtuar.

 

Mas, Portugal continua na vanguarda da Europa noutros indicadores, infelizmente para nós consumidores e contribuintes.

 

No passado dia 21 de maio, o Eurostat divulgou uma análise à evolução do custo da energia e do gás natural para as famílias europeias.

 

O preço da energia subiu na União Europeia 3,5% face a 2017 para os 21,1€ por 100 kWh. Por sua vez, o preço do gás natural subiu em 2018 face ao ano anterior 5,7%, para os 6,7€ por cada 100 kWh.

 

Mas o que é mais importante para nós portugueses e para qualquer analista económico é ver a posição de Portugal no "ranking" em função do nosso poder de compra. E neste âmbito, infelizmente, somos os campeões da Europa a pagar.

 

Com base no poder de compra (PPS - Purchasing Power Standards), Portugal cujo PIB "per capita" representa cerca de 77% do valor médio da Europa, tem o maior custo de energia: 28,2 PPS por cada 100 kWh, à frente de países bem mais ricos do que nós como a Alemanha (28 PPS), a Espanha (27,4 PPS), a Bélgica (26,6 PPS), a Finlândia (13,8 PPS), a Holanda (15,2 PPS), a França (16,4 PPS) e a Suécia (16,5 PPS).

 

Já no gás natural e apesar de em 2018 o custo nominal se ter reduzido 1,9% em Portugal, nós temos o 6.º preço mais elevado em termos nominais entre 25 países. Mas se ajustarmos os preços ao poder de compra, Portugal tem o 3.º preço mais elevado: Suécia (10,1 PPS), Espanha (9,7 PPS), Portugal e Itália (9,6 PPS). Os países com o preço mais reduzido são o Luxemburgo (3,5 PPS), o Reino Unido (4,7 PPS), a Croácia e a Estónia (5,6 PPS), a Bélgica e a Alemanha (5,7 PPS).

 

A elevada carga fiscal que existe sobre os combustíveis também ocorre no custo da energia e do gás natural.

 

Na energia, o peso de taxas e impostos pesa em Portugal 55% do preço. Apenas ficamos atrás da Dinamarca com 64%, mas bem acima do valor médio da União Europeia que é de 37%.

 

No gás natural, a situação é mais favorável, uma vez que o peso dos impostos e taxas no preço em Portugal é de 25%, abaixo do valor médio da União Europeia de 27% e da Zona Euro de 31%. Contudo, em Espanha, a carga fiscal é de 20%, na Irlanda de 17% e na Grécia de 14%.

 

O custo da energia é uma variável determinante para o rendimento disponível das famílias portuguesas e é uma variável fundamental para o custo de produção das empresas industriais nacionais.

 

Se queremos que as empresas nacionais sejam mais competitivas, apresentem melhores margens operacionais, maior eficiência operacional e rendibilidades económica e financeira mais elevadas, é fundamental que os responsáveis governamentais desenvolvam de forma rígida e eficaz todos os esforços no sentido da redução rápida da fatura energética (as famosas rendas da energia e a elevada carga fiscal).

 

Economista

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