Carlos Bastardo
Carlos Bastardo 05 de junho de 2019 às 20:25

Défice comercial com a China: não é caso único dos EUA

Em 2018, os 28 países da UE exportaram 209,8 mil milhões de euros para a China e importaram 394,8 mil milhões de euros. A China é o segundo maior comprador de produtos da UE e o maior vendedor de produtos à UE.

O Eurostat publicou recentemente os dados do défice comercial da União Europeia (UE) com a China.

 

A UE teve um défice comercial com a China em 2018 de 185 mil milhões de euros, um dos mais elevados dos últimos 10 anos.

 

O défice comercial da UE com a China no período 2008 a 2018 variou entre 130 e 190 mil milhões de euros. Ou seja, estamos em presença de um défice comercial estrutural.

 

Em 2018, os 28 países da UE exportaram 209,8 mil milhões de euros para a China e importaram 394,8 mil milhões de euros. A China é o segundo maior comprador de produtos da UE e o maior vendedor de produtos à UE.

 

O país da UE que mais importou da China em 2018 foi a Holanda com 85 mil milhões de euros e o que mais exportou foi a Alemanha com 94 mil milhões de euros.

 

Relativamente a Portugal, 2018 representou o maior défice comercial com a China em termos históricos, 1,69 mil milhões de euros.

 

O nosso país importou 2,35 mil milhões de produtos chineses, mais 14,7% que em 2017 e exportou apenas 657,8 milhões de euros, o que representou um decréscimo de 21,9% face a 2017.

 

O défice comercial dos EUA com a China foi em 2018 de 621 mil milhões de dólares (o equivalente a cerca de 555 mil milhões de euros), mais 12,5% que em 2017. Os EUA exportaram para a China 2,5 mil milhões de dólares (+6,3% que em 2017) e importaram daquele país 3,12 mil milhões de dólares (+7,5% que em 2017).

 

Portanto, quando as atenções estão todas viradas para a guerra comercial iniciada por Trump entre os EUA e a China, a situação é transversal a outras zonas do globo, nomeadamente a União Europeia e não é de agora.

 

A Europa tem que "abrir a pestana" nas negociações comerciais com a China e defender energicamente um menor desequilíbrio no valor das trocas, com vista à redução do défice que existe atualmente.

 

Claro que isso depende fundamentalmente da persistência da Europa para que a China abra mais o seu mercado doméstico aos parceiros de negócios internacionais (atuais e futuros). Sabemos que é um processo lento e difícil, mas tem que ser continuado.

 

No primeiro trimestre de 2019, o défice comercial da UE com a China ascendeu a 49,4 mil milhões de euros (53,2 mil milhões de euros de exportações e 102,6 mil milhões de euros de importações). A continuar este ritmo, chegaremos certamente ao final de 2019 com um novo recorde no défice comercial da UE com a China.

 

Quanto a Portugal, a recente visita do Presidente da Republica e da comitiva económica que o acompanhou oxalá possa vir a dar frutos, apesar de sabermos que o mercado chinês não é um "open market".

 

Apesar de ser um mercado com bastante potencial e de estarmos a falar de 1,4 biliões de consumidores, o facto é que é relativamente complicado realizar negócios, por questões de mentalidade, cultura e porque todos os países desejam o mesmo: exportar para a China.

 

Portugal deve continuar a apostar nos produtos em que podemos fazer a diferença face aos nossos concorrentes, uma vez que dada a nossa dimensão, perdemos por escala.

 

É caso para dizer: os empresários portugueses têm que ter paciência de chinês, para poder entrar e desenvolver negócios naquele país.

 

Economista

pub

Marketing Automation certified by E-GOI