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Carlos Bastardo 23 de Setembro de 2020 às 10:20

Depois das férias, estamos no período crítico do ano

Com um enquadramento internacional adverso, o consumo privado é crucial para alguma sustentação económica. No verão, os portugueses fizeram mais férias em Portugal e tal ajudou a compensar parcialmente as perdas de um setor tão importante como é o turismo.

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Chegado o outono num ano anormal como está a ser 2020, devemos estar conscientes de que o último trimestre do ano é crítico no processo com vista a obtermos o mais rápido possível a normalidade tão desejada.

O equilíbrio entre a recuperação sanitária e o funcionamento da economia é difícil, mas tem de ser o principal objetivo não apenas dos governantes, mas fundamentalmente de todos nós.

Até termos uma vacina com provas dadas, que segundo os especialistas da OMS apenas em meados de 2021 será possível (melhor cenário), o problema sanitário existe, mas a economia não pode parar como em março/abril.

E porquê? Porque os reflexos dessa paragem ou travagem brusca da economia já se sentem. Em julho, o número de desempregados divulgado (407.302) foi 37% acima do número registado em julho de 2019. E infelizmente, este número vai aumentar nos próximos meses.

A atividade económica apesar de alguma recuperação no 3.º trimestre, está muito longe dos níveis de 2019 ou do início de 2020.

Outro indicador que é consequência do receio dos portugueses foi a quebra do consumo privado. Foi de tal forma significativa que a taxa de poupança das famílias até aumentou para 7,4% no 1.º trimestre de 2020, o valor mais elevado desde 2014 e acima dos 6,8% registados no final de 2019.

Outro reflexo da situação atual é o índice de preços do consumidor (IPC) que evidenciou uma situação de deflação em agosto (-0,1%). A deflação é o pior que se pode desejar, pois adiam-se decisões de consumo e de investimento.

A forte queda do consumo das famílias está relacionada com os receios quanto à evolução do emprego e do rendimento disponível (as pessoas ainda se lembram dos cortes que tiveram no rendimento antes e após o resgate do país em maio de 2011).

Se esta crise é global, logicamente as exportações não ajudam a compensar a quebra da procura interna. Aliás, quer as exportações como as importações caíram nos últimos meses, mais até esta última, o que possibilitou uma diminuição do défice comercial.

Com um enquadramento internacional adverso, o consumo privado é crucial para alguma sustentação económica. No verão, os portugueses fizeram mais férias em Portugal e tal ajudou a compensar parcialmente as perdas de um setor tão importante como é o turismo.

Consumo versus poupança é um tema importante. Quando o ciclo económico tem sido positivo, ou seja, em períodos em que o rendimento disponível aumentou, a taxa de poupança normalmente caiu e o consumo cresceu não apenas devido a isso, mas também e sobretudo, devido a um maior endividamento das famílias.

Neste período difícil, existem razões para se tomarem medidas que incentivem o consumo, nomeadamente a descida do IRS e do IVA dos produtos essenciais. Em primeiro lugar, porque a poupança em produtos mais líquidos e de menor risco tem uma rendibilidade muito reduzida (0% ou perto disso). Em segundo lugar, o consumo ajuda os negócios das empresas e a manutenção dos postos de trabalho, ajuda a compensar o momento negativo das exportações e simultaneamente gera receita fiscal, uma vez que ao consumirmos também pagamos impostos.

Mas atenção, não devemos dar um passo maior que a perna: devemos consumir, mas evitar que seja baseado em dívida.

 

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