Carlos Bastardo
Carlos Bastardo 09 de outubro de 2019 às 18:43

Digitalização versus proteção dos investidores em ativos financeiros

Os meios atuais para investimento em ativos financeiros ou para consultoria de investimento em mercados financeiros através de plataformas digitais e de “fintech” facilitam a vida aos investidores em termos de comodidade e rapidez, mas existem riscos que devem ser acautelados.

O aconselhamento de investimentos deverá basear-se em critérios de profissionalismo, controlo do risco, qualidade da informação prestada e máxima transparência. Por outro lado, há que atender ao perfil de risco e ao nível de literacia/conhecimento do investidor em produtos financeiros.

 

Além do facto de os algoritmos poderem não ser 100% fiáveis (são feitos por humanos), embora os testes de experiência histórica ao nível dos resultados produzidos e as auditorias aos mesmos poderão minimizar ou ultrapassar o problema, uma coisa é dar ordens de compra ou venda através de uma máquina, outra coisa é termos à frente um consultor de investimentos que presta informações sobre o produto, esclarece as dúvidas e reage às questões. E essa reação, nós podemos vê-la e senti-la, ao passo que com uma máquina, não há essa hipótese (por enquanto!).

 

Claro que um investidor com um bom nível de conhecimento tem mais condições para aderir às plataformas digitais de investimento. Mas, sabemos que em Portugal, o índice de conhecimento financeiro é reduzido em termos gerais. E neste caso, quem ajuda essas pessoas a tomarem decisões que sejam pelo menos tomadas com informação em conta, peso e medida?

 

As plataformas digitais apareceram nos últimos anos como cogumelos e não apenas relacionadas com produtos financeiros, mas também com as criptomoedas. Ainda recentemente, as notícias falaram de uma plataforma de negociação de uma criptomoeda que vai encerrar devido à sua situação financeira.

 

Se a consultoria de investimentos tradicional deve ter regras que evitem conflitos de interesse e que evitem um deficiente aconselhamento, de forma a não repetir problemas do passado recente, as plataformas digitais também devem ser reguladas e supervisionadas.

 

Por outro lado, se desejamos um mercado concorrencial e eficiente, o facto de os potentes algoritmos custarem dinheiro, dado serem construídos por cérebros informáticos e de gestão, vai fazer com que as pequenas instituições financeiras que não têm tantos recursos de capital fiquem em pé de desigualdade face às instituições financeiras de maior dimensão.

 

Esta situação pode provocar um índice de concentração, em que as grandes instituições dominam o mercado dos serviços de investimento via plataformas digitais, o que pode ocasionar conflitos de interesse, entre outros problemas.

 

Com a crise financeira, houve necessidade de melhorar e aperfeiçoar os mecanismos de controlo de risco da oferta de produtos financeiros. Hoje, a supervisão financeira europeia nada tem a ver com o período antes da crise.

 

A diversidade de instrumentos de negociação de ativos financeiros aumentou e tem de ser regulada, para evitar novos exageros e materialização de riscos no futuro. Com mais ou menos digitalização, uma coisa é certa, devem existir mecanismos eficazes de regulação que protejam os investidores.

 

Economista

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