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Carlos Bastardo - Economista 09 de Dezembro de 2020 às 20:18

O que esperar de 2021?

O atraso da aprovação final da bazuca e a consequente libertação dos fundos é uma situação negativa para a evolução económica da Zona Euro em geral e para Portugal e terá um impacto mais negativo quanto mais diferida no tempo.

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Após um ano muito difícil, convém refletirmos sobre o que poderá acontecer em 2021 e anos seguintes. Logicamente, fazer previsões é muito complicado, mas devemos refletir sobre algumas questões que poderão fazer com que 2021 possa significar o início da recuperação económica.

Com os confinamentos de novembro na Europa, um dos indicadores que eu considero há muitos anos um dos mais fiáveis para anteciparmos tendências, o indicador PMI (Purchasing Managers Index) do setor industrial, caiu nesse mês na Zona Euro para os 53,8 (54,8 em outubro). O indicador em França e em Espanha caiu mesmo para baixo de 50 (49,6 e 49,8 respetivamente).

Mas esta evolução negativa do PMI não impediu que o mês de novembro fosse um dos melhores meses das bolsas na sua história, o que não deixa de ser um pouco contraditório com a evolução económica. Os investidores estão otimistas devido aos resultados das eleições nos EUA e às notícias positivas respeitantes a várias vacinas.

E estes dois fatores são na minha opinião o que vai determinar o ano de 2021. Ou seja, sabemos que a política económica nos EUA vai mudar em alguns aspetos, que as relações com a China e a Europa poderão melhorar e que vão continuar os esforços para estimular a economia. Já no que respeita à luta contra a covid-19, a eficácia das vacinas já em ambiente real e não de teste irá ser determinante na retoma da confiança dos agentes económicos.

Na Europa, após quase 6 meses do anúncio da famosa bazuca, ainda não há aprovação final. A maior parte do valor do apoio só chegará provavelmente no fim do primeiro semestre de 2021.

O atraso da aprovação final da bazuca e a consequente libertação dos fundos é uma situação negativa para a evolução económica da Zona Euro em geral e para Portugal e terá um impacto mais negativo quanto mais diferida no tempo.

A OCDE apresentou as estimativas de evolução do PIB português: uma queda de 8,4% este ano e um crescimento de 1,7% em 2021 e de 1,9% em 2022. Ou seja, no final de 2022, a economia portuguesa não terá, com base na OCDE, recuperado metade da queda de 2020. Esta situação é muito negativa, pois espelha que o desemprego vai continuar a aumentar no próximo ano.

Também vem reforçar as preocupações relativamente ao acerto da aplicação dos fundos da União Europeia, facto também evidenciado no outlook económico da OCDE.

Logicamente, uma economia pequena e aberta como a portuguesa depende bastante da evolução dos seus principais parceiros comerciais, Espanha, Alemanha e França, principalmente, e estas economias também não vivem um bom momento.

Se a vacinação tiver sucesso e os estímulos na Europa forem rapidamente aprovados, tal será positivo para a economia. E para os mercados financeiros?

Os mercados financeiros já estão a antecipar tudo o que de bom possa acontecer, talvez até em demasia. O índice S&P 500 caiu dos 3.400 para os 2.200 pontos, mas já está acima dos 3.600 pontos. O índice Stoxx 600 caiu dos 434 para os 270 pontos, mas já está nos 400 pontos.

Quanto à dívida pública a 10 anos, as yields estão em níveis extremamente baixos: as obrigações alemãs perto dos -0,50% e as obrigações nacionais perto de 0%.

Será que 2021 pode trazer algum racional a esta evolução? Seria bom para os mercados financeiros.

 

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