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Carlos Bastardo - Economista 09 de Fevereiro de 2021 às 13:20

PIB com queda histórica em 2020 e evolução em 2021 comprometida

Segundo a estimativa rápida do INE, o PIB português caiu 7,6% em 2020, devido sobretudo à forte queda verificada no segundo trimestre do ano. Esta performance foi pior que o valor médio da zona euro, uma queda de 6,8%.

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Ainda não existem dados à data que escrevo este artigo relativamente aos países europeus individualmente, nem existe um detalhe da queda do PIB português, ou seja, quais as áreas que se comportaram menos mal que o esperado e as áreas que mais sofreram.

 

Esta estimativa ainda poderá (ou não) sofrer alterações ligeiras, mas acaba por se enquadrar na média das projeções apresentadas em abril e que apontavam para uma quebra de cerca de 8%.

 

O PIB no quarto trimestre cresceu 0,4% face ao trimestre anterior, sendo Portugal um dos poucos países com uma variação positiva. Contudo, isto tem a ver com o facto de muitas economias europeias terem confinado mais cedo que nós, pelo que, os efeitos negativos serão mais visíveis no primeiro e segundo trimestre de 2021 no nosso país.

 

O governo definiu no orçamento de Estado para 2021 uma previsão de crescimento do PIB de 5,4%, mas algumas entidades já apresentaram estimativas de queda deste indicador neste ano entre os 2% e os 4%.

 

A evolução do PIB em 2021 vai depender fundamentalmente da duração do confinamento atual, da velocidade do plano de vacinação, da evolução pandémica e económica dos nossos principais parceiros comerciais, como a Espanha, a Alemanha e a França e da chegada dos apoios da famosa, mas até agora virtual bazuca económica e financeira europeia.

 

Uma coisa é certa, o ministro das finanças já admitiu que a evolução do PIB vai ser pior do que o esperado. Resta saber é se a evolução vai ser traduzida por um crescimento da riqueza ou por uma nova quebra. No final do primeiro semestre teremos certamente dados mais claros sobre essa evolução.

 

Por outro lado, num país dependente do turismo, quanto mais tempo durarem as restrições de mobilidade, maior será o impacto negativo na economia, uma vez que este setor arrasta nos momentos bons e nos momentos maus variadas outras atividades.

 

O número de insolvências de empresas tem aumentado nos últimos meses, assim como os despedimentos coletivos. As empresas nacionais necessitam de maiores apoios, uma vez que o prolongamento da situação de confinamento atual é extremamente negativo, numa situação já frágil do ponto de vista económico e financeiro (especialmente ao nível da tesouraria).

 

As informações que tenho recebido de amigos que residem em diferentes bairros de Lisboa e regiões do país é que desde o Natal, vários estabelecimentos comerciais com porta para a rua fecharam definitivamente, incluindo vários restaurantes.

 

O confinamento em Portugal foi tardio, a maior mobilidade no Natal teve efeitos desastrosos na pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde e no número de casos covid e de falecimentos, colocando o país numa posição nada invejável a nível mundial.

 

Agora, infelizmente, vamos ter de correr mais uma vez atrás do prejuízo. Provavelmente no primeiro e segundo trimestre do ano, vamos apresentar uma evolução económica mais desfavorável que a média da zona euro e, consequentemente, continuarmos a distanciar-nos dos nossos parceiros europeus.

Economista

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