Carlos Bastardo
Carlos Bastardo 27 de dezembro de 2018 às 18:02

PIB per capita foi apenas de 76,6% da média da UE em 2017

Recentemente, o Instituto Nacional de Estatística (INE) e o Eurostat divulgaram os dados sobre o PIB per capita de 2017 tendo em conta a paridade do poder de compra.

A conclusão é que os portugueses em 2017 estavam mais pobres que em 2016, já que o PIB per capita representava apenas 76,6% do valor médio da União Europeia quando um ano antes representava 77,2%.

 

Se recuarmos 9 anos até 2009, o PIB per capita era de 82,1% da União Europeia (UE).

 

Ou seja, apesar do crescimento do PIB desde 2015, o facto é que o país não conseguiu aproveitar em toda a sua plenitude os bons ventos internacionais nos últimos 3 anos. Hoje, os portugueses estão mais pobres em termos relativos face aos nossos parceiros, que no período antes da crise.

 

Entre os 19 países da zona euro, Portugal ficou em 16.º lugar neste indicador, apenas à frente da Eslováquia, Grécia e Letónia. Entre os 28 países da União Europeia, Portugal ocupava o 20.º lugar em 2017.

 

O país com o maior PIB per capita em 2017 foi o Luxemburgo com 253% do valor médio da UE, ou seja, é 2,5 vezes superior ao PIB per capita médio da UE. Seguia-se a Irlanda com 180,9% e a Suíça com 156%.

 

As maiores potências da zona euro, Alemanha, França, Itália e Espanha apresentaram valores de 123,7%, 103,6%, 96,3% e 92% respetivamente em 2017.

 

A Bulgária (49,3%), a Croácia (61,6%) e a Roménia (62,5%) foram os países da UE com o valor mais baixo.

 

O Reino Unido que está em processo de saída da UE apresentou um indicador de 105,4% em 2017.

 

Relativamente a outro indicador calculado pelo INE e pelo Eurostat, a Despesa de Consumo Individual per capita considerando a paridade dos poderes de compra e que pretende avaliar o bem-estar das famílias (além do consumo, o indicador também incorpora as transferências sociais em espécie da Administração Pública para as famílias), Portugal apresentou em 2017 um valor de 82,2% face à média da UE, ocupando o 13.º lugar entre os 19 estados da zona euro.

 

Esta é a realidade dos números e que contraria o otimismo exagerado manifestado por alguns políticos.

 

Outros sinais preocupantes é que o crédito às famílias e especialmente o crédito ao consumo continua a aumentar para níveis preocupantes.

 

Se vemos que o número de famílias com dificuldades financeiras aumenta e se por outro lado, as famílias continuam a endividar-se, quando as taxas de juro começarem a subir como vai ser?

 

Muito provavelmente iremos assistir a um aumento da pressão financeira e a mais pedidos de ajuda por parte das famílias portuguesas.

 

No início de 2019, o imposto de selo sobre o crédito ao consumo vai aumentar, especialmente sobre os cartões de crédito. Mas será que isso chega para travar os pedidos de crédito ao consumo das famílias e o crédito concedido pelos bancos?

 

Portanto, terminamos 2018 num ambiente menos positivo ou pelo menos com mais fatores de incerteza do que terminamos 2017.

 

A todos, desejo umas Festas Felizes e um ano de 2019 com saúde e sucesso.

 

Economista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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