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Carlos Bastardo 07 de Maio de 2020 às 19:40

PMI caem para mínimos históricos em abril

Na Europa, o desemprego também tem estado a subir, especialmente em Itália e em Espanha. Em Portugal, nos meses de março e abril, os pedidos do subsídio de desemprego subiram cerca de 100 mil, apesar das medidas de proteção (lay-off).

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As principais economias ocidentais estiveram paradas ou quase paradas durante o mês de abril, situação que se traduziu na queda dos índices de confiança dos empresários e dos consumidores, com reflexos muito negativos no PIB, no desemprego, no investimento e no consumo.

Um dos indicadores que me habituei há muitos anos a acompanhar, desde o tempo em que trabalhei na gestão de ativos financeiros, devido sobretudo à sua fiabilidade e influência na evolução do PIB e dos mercados financeiros (ações), é o PMI da indústria, um indicador de confiança dos responsáveis das empresas industriais.

Também existem os indicadores PMI dos serviços e PMI geral consolidado. Contudo, o PMI industrial é na minha opinião mais fiável no atual contexto de crise pandémica e de crise económica.

Como se esperava, os valores do PMI industrial evidenciaram em abril uma queda mais significativa do que em março, atingindo em muitos casos mínimos históricos e apontando para uma queda do PIB no 2.º trimestre mais agressiva do que a registada no 1.º trimestre.

Nos EUA, o indicador caiu de 48,5 em março para 36,1 em abril. Na Zona Euro, caiu de 44,5 para 33,4. No Reino Unido, caiu de 47,8 para 32,6. No Japão, caiu de 44,8 para 41,9. Estes valores traduzem-se numa forte recessão económica.

Na China, o PMI, que em fevereiro estava nos 40,3 (51,1 em janeiro), recuperou para 50,1 em março e caiu ligeiramente para 49,4 em abril.

Contudo, noutros países asiáticos como a Coreia do Sul e Taiwan, o PMI da indústria de abril também está em níveis muito baixos: 41,6 e 42,2 respetivamente.

Na Zona Euro, os países que registaram o valor mais baixo do indicador em abril foram Espanha (30,8) e Itália (31,1). A Alemanha registou um valor de 34,5 neste indicador.

A questão que se coloca neste momento é como irá evoluir este indicador nos próximos meses? Vai depender do êxito do processo de reabertura das economias.

A recuperação económica que deverá ser lenta (provavelmente em U com uma base larga) e a evolução da pandemia nesta fase de reabertura são os fatores cruciais para o aumento da confiança dos empresários e dos consumidores.

As economias estão a abrir, necessariamente com restrições de forma a não se regredir no nível de controlo pandémico.

Há até alguns cientistas e responsáveis mundiais do setor da saúde que preferiam mais umas semanas de controlo apertado. A questão é que as economias têm estado paradas e os efeitos no PIB e no desemprego são dramáticos.

Mesmo o PIB do 1.º trimestre, que ainda teve dois meses relativamente normais em termos económicos (exceção da China em que o mês de fevereiro foi complicado), já demonstrou muito negativamente os efeitos da paragem económica em março.

O PIB dos EUA caiu 4,8% no 1.º trimestre, acima das estimativas de 3%. O número de pedidos de emprego nos EUA ascendeu a mais de 26 milhões de pessoas em apenas cinco semanas.

Na Europa, o desemprego também tem estado a subir, especialmente em Itália e em Espanha. Em Portugal, nos meses de março e abril, os pedidos do subsídio de desemprego subiram cerca de 100 mil, apesar das medidas de proteção (lay-off).

Os próximos dois a três meses vão ser cruciais para a evolução dos indicadores de confiança, nomeadamente o PMI industrial. Oxalá que tudo decorra bem!

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