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Carlos Bastardo 01 de Agosto de 2013 às 00:01

Projecções económicas e exportações portuguesas

As exportações nacionais cresceram 4,13% nos primeiros cinco meses de 2013 face a idêntico período de 2012, segundos os dados preliminares do INE. Em valor absoluto, as exportações atingiram nos 5 primeiros meses deste ano 19.932 milhões de euros, sendo 70,8% destinado a países da União Europeia (UE) e 29,2% destinado a países fora da UE.

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As exportações nacionais cresceram 4,13% nos primeiros cinco meses de 2013 face a idêntico período de 2012, segundos os dados preliminares do INE. Em valor absoluto, as exportações atingiram nos 5 primeiros meses deste ano 19.932 milhões de euros, sendo 70,8% destinado a países da União Europeia (UE) e 29,2% destinado a países fora da UE.


As exportações nacionais para países da UE aumentaram 2,27% nos primeiros cinco meses de 2013 face ao período homólogo do ano anterior, enquanto que as exportações nacionais para países fora da UE cresceram 8,96% na mesma comparação de períodos.

No que respeita às importações, estas totalizaram nos primeiros cinco meses de 2013, 23.198 milhões de euros, menos 3,16% que no período homólogo de 2012.

A taxa de cobertura das importações pelas exportações estava em Maio de 2012 nos 79,9% e subiu para 85,9% em Maio de 2013 (valores acumulados de cinco meses).

O défice comercial nos primeiros cinco meses de 2013 foi de 3.266 milhões de euros, melhorando face aos 4.812 milhões de euros em idêntico período do ano passado.

Portanto, a procura externa tem compensado parcialmente a grave entropia da procura interna.

As dúvidas que se levantam daqui para a frente têm a ver com a evolução das economias que constituem os nossos principais clientes.

O FMI divulgou recentemente mais uma revisão em baixa das suas projecções económicas. Para o mundo, baixou a fasquia do crescimento do PIB em 2013 de 3,3% para 3,1%; para os EUA, baixou de 1,9% para 1,7% e para os principais países da Zona Euro, as previsões de evolução do PIB também foram revistas em baixa.

O FMI estima agora para a Alemanha (2º maior comprador de produtos nacionais) um crescimento do PIB de 0,3% em 2013 contra os 0,6% estimados em Abril passado. Para a França (3º maior comprador de produtos nacionais), o FMI estima uma recessão de 0,2%. Em Itália, o PIB deverá cair este ano 1,8% e em Espanha (maior comprador de produtos nacionais), o PIB deverá cair 1,6%.

Os países desenvolvidos deverão ver o seu PIB crescer em média "apenas" 1,2% enquanto que as economias emergentes deverão crescer 5% (baixando de 5,3% previstos em Abril passado). As maiores decepções nos mercados emergentes são o Brasil, onde o FMI baixou a previsão de crescimento do PIB para este ano 3% para 2,5% e a Rússia, cuja estimativa caiu de 3,4% para 2,5%.

Deste modo, atendendo às projecções económicas dos nossos principais clientes, a evolução positiva das exportações e dos termos de troca, poderá enfrentar algumas dificuldades nos próximo meses. Aliás, em Maio, a evolução mensal das exportações embora positiva, foi já menos evidente do que em Abril.

Seria bom que as exportações continuassem com uma evolução positiva, pois a situação ao nível da procura interna continua uma desgraça.

Os bancos continuam a desalavancar, como se pode concluir dos dados do Banco de Portugal relativos a Maio de 2013 mas, essa desalavancagem não se traduz numa estabilização ou melhoria do crédito mal parado. O rácio de crédito mal parado era de 7,21% no final de Maio, sendo de 3,94% no segmento de particulares e 11,32% no segmento de empresas. Em valor absoluto, o crédito mal parado no final de Maio atingiu os 17 mil milhões de euros, mais 18,9% que um ano antes (14,3 mil milhões de euros).

Esta evolução negativa deverá continuar nos próximos meses, dada a deterioração dos dados económicos fundamentais do país, continuando a ser um forte entrave ao consumo das famílias e ao investimento das empresas.

Oxalá as exportações possam continuar a ajudar!

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