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Carlos Vieira cfvieira@ensinus.pt 20 de Setembro de 2015 às 19:00

Está na hora, está na hora...

No passado dia 16, o ISG recebeu a Conferência sobre Qualificação e Portugal 2020, organizada pela coligação Portugal à Frente.

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O ISG é uma instituição com as portas abertas para o debate dos grandes problemas e das grandes causas que mobilizam os portugueses, em particular nestes momentos de grandes opções.

 

Numa altura em que tanta gente parece alheada da realidade política, criticando por criticar, tornando a abstenção o partido mais votado, importa abrir as portas para que os jovens estudantes e a restante comunidade possam ouvir, intervir e participar num ato de reforço de cidadania.

 

Estiveram como palestrantes, entre a sessão de abertura do vice-primeiro-ministro e o encerramento do primeiro-ministro, os professores David Justino, Rodrigo Queiroz e Melo (meu colega na Direção da Confederação Nacional da Educação e Formação) e Joaquim Azevedo, entre outros, que, como sempre, apresentaram a sua visão sobre a educação em Portugal e a sua relação "competitiva" com os outros países.

 

Felizmente, estas visões esclarecidas e conhecedoras da realidade permite-me descansar sabendo que há gente que pensa, e bem, a educação. Infelizmente, nem sempre a educação é bem tratada nas campanhas eleitorais, com muita mistificação à mistura, num setor em que são necessárias medidas a médio e a longo prazo, implicando uma espécie de pacto de regime, oportunidade que pode ser bem aproveitada em 2016 quando se assinalam 30 anos da largamente consensual Lei de Bases do Sistema Educativo.

 

Não posso esquecer a forma como se desinvestiu na formação contínua de adultos e se deixou cair os centros RVCC – Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências e se desmoralizou os milhares de pessoas que viram as suas competências reconhecidas e abertas as portas para continuarem/retomarem um percurso académico.

 

Se não se gostava do nome Centros Novas Oportunidades, mudava-se o nome. Da mesma forma, a eliminação pura e simples dos CEF – Cursos de Educação e Formação, sem uma avaliação coerente dos seus resultados de curto, médio e longo prazo, assusta pela ligeireza com que se destroem projetos pensados e em que existiu investimento significativo.

 

Não pode também passar em branco, a tentativa de eliminação dos CET – Cursos de Especialização Tecnológica (valeu-nos o IEFP) e a criação dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais, quando bastavam alguns eventuais ajustamentos. Tudo em nome de picardias (sim, picardias) políticas que inferiorizam os diplomados do passado e baralham a realidade futura.

 

A forma como alguns referiram a importância dos Cursos Vocacionais, de nível básico e secundário, com o epíteto de "Dual" criados na vigência do atual Governo, provoca-me sensações de tristeza pois parecia que se tinha descoberto a pólvora, como se não existissem desde a década de 1980 os cursos de aprendizagem e os cursos profissionais, criados quando o atual Presidente da República era chefe do governo, atribuindo valor socialmente útil aos recursos financeiros canalizados pelas instituições europeias, nomeadamente através do FSE.

 

De novo se restruturou, complicando, uma área que vinha apresentando consecutivamente excelentes resultados e em que, no caso específico das escolas profissionais, os mesmos decorreram de uma sustentada e reforçada autonomia pedagógica que, infelizmente, se tem vindo a perder.

 

Sim, porque de facto, em todas as conferências e debates se ouvem os mesmos conceitos como sendo importantes para revolucionar a educação em Portugal: mais autonomia, mais estabilidade, melhor programação, existência de financiamento plurianual (por exemplo, para as escolas profissionais e muito para o sistema de aprendizagem), mais avaliação e mais intervenção da sociedade civil e compreensão das realidades socioeconómicas locais e regionais.

 

Mas quando se ganham eleições, a dinâmica das "Estruturas" (palavra muito em voga) absorve as vontades e o "wishful thinking" pré-existente.

 

No mesmo dia e hora da conferência no ISG, decorreu em Pombal (berço da primeira escola profissional privada e primeira sede da associação do sector) um Encontro Nacional do Ensino Profissional, promovido pelo Partido Socialista que, no círculo eleitoral de Leiria apresenta como cabeça de lista a professora Margarida Marques, número dois do professor Joaquim Azevedo no GETAP – Gabinete de Educação Tecnológica, Artística e Profissional, que foi responsável pela criação de todo o modelo que deu origem aos cursos profissionais e às escolas profissionais, no final dos anos 80 do século passado. Segundo testemunhos que recolhi de participantes neste encontro também ali se produziu um debate animado sobre as propostas do programa eleitoral do PS para o ensino em geral e, em particular, para o ensino profissional.

 

Termino este artigo de opinião reforçando a importância de um amplo e sério debate, hoje e amanhã, sobre a nossa educação. Peço honestidade intelectual quando os futuros eleitos à Casa da Democracia e membros do governo reconheçam aquilo por que se bateram em campanha e o defendam na execução concreta.

 

Administrador ISG 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

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