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Carlos Vieira cfvieira@ensinus.pt 06 de Julho de 2016 às 19:30

"Say Hello, Wave Goodbye"

Se uns iluminados conseguem desempenhar serviços que alguém definiu que são função do Estado de uma forma mais eficiente, pagando os seus impostos, criando riqueza, então que venham. E em grande quantidade.

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(…) Well I put up with all the scenes

And this is one scene

That's goin' to be played my way (…)(1) 

 

Se é verdade que o Brexit demonstrou que a democracia é um sistema horrível (e ainda assim, parafraseando Churchill, ainda é o melhor pois ninguém inventou sistema político tão bom), não vejo como sendo tão terrífica a saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Em primeiro lugar, porque sempre foi clara a pouca colaboração em situações relevantes para a organização da UE2 e em segundo porque o Reino Unido se viu sempre como uma unidade própria, numa lógica semi-imperialista que faz sentido no modelo atual de domínio anglo-saxónico, que inclui necessariamente os EUA. Por fim, julgo que este referendo despertou consciências de muitos daqueles que tomam sempre as coisas por garantidas e acredito que face à premência de um novo referendo (desejado inclusive por aqueles que defenderam a saída) a decisão será revertida. A minha maior preocupação vem dos efeitos que esta votação terá noutros países e da visibilidade que o recrudescimento dos movimentos nacionalistas e do suporte dos mesmos por parte dos mais jovens poderá ter no desenvolvimento da Europa como um todo. Espero que esta desagregação não crie situações similares às que existiram na génese da Comunidade Europeia e que por vezes muitos se esquecem.

 

À parte isso, do ponto de vista económico, convém lembrar que o Reino Unido integrou a EFTA e que é parte liderante da Commonwealth of Nations. Esta organização, que relembro, inclui países como Índia, Paquistão, Nigéria, Bangladesh, África do Sul, Canadá e Austrália, representa uma população superior a dois mil milhões de cidadãos e tem condições para alargar o âmbito das suas relações económicas e políticas, o que muitas vezes não era possível em sede de União Europeia (pelo menos não numa vertente de condições especiais para o Reno Unido).

 

Por falar em saídas, esta será a minha última crónica do ISG. Desde janeiro de 2012 que tenho vindo a colaborar, de forma mais ou menos intensa, com este jornal que acolheu inicialmente os textos do anterior diretor do ISG, o Prof. Avelino de Jesus, (que ainda hoje continua a escrever nestas páginas) e que posteriormente convidou o atual diretor, o Prof. Miguel Varela, e este que agora vos escreve a manter uma coluna quinzenal. Espero que guardem uma boa lembrança dos meus escritos e estou certo de que quem me substitui irá honrar ainda mais os leitores deste jornal.

 

Durante estes cerca de quatro anos tive a oportunidade de mostrar o que defendo. Fico incomodado com sentimentos de ataque ao setor privado e às iniciativas que procurem o lucro e o crescimento da riqueza. Nos últimos tempos tenho vindo a criticar a deriva estatizante, assumindo que a mesma nunca trouxe nada de positivo ao mundo e ao país. A velha história de as empresas ganharem dinheiro à custa do Estado esquece que o Estado somos todos nós. E se uns iluminados conseguem desempenhar serviços que alguém definiu que são função do Estado de uma forma mais eficiente, pagando os seus impostos, criando riqueza, então que venham. E em grande quantidade.

 

Foi um prazer e encontramo-nos por aí.

 

(1)Da canção "Say Hello, Wave Goodbye", Almond, Marc/Ball, David

(2)Ver por curiosidade parte de um episódio da série "Yes, Minister", transmitido em 1980: https://www.youtube.com/watch?v=37iHSwA1SwE

 

Administrador do ISG

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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