David Bernardo
David Bernardo 18 de maio de 2016 às 20:05

A influência da tecnologia na política

A DLD teve a sua segunda edição do ano em Nova Iorque. Esta conferência reúne sempre os líderes mais inovadores do futuro.

Algumas novidades e outras não tão novas, mas que continuam na ordem do dia.

 

Os bots, depois de apresentados pelo Facebook na última conferencia F8, foram um dos temas de abertura da conferência com dois casos. O Donotpay é um site no Reino Unido que faz o papel de advogado para pequenos processos como reclamar uma multa de trânsito. Os resultados iniciais são já bastante positivos com mais de 3 milhões de libras em processos ganhos. O outro caso foi a x.ai que é uma assistente virtual que nos ajuda a gerir as nossas agendas. 

 

No seguimento dos bots e dadas as novas empresas de "concierge" que estão a aparecer como o Hello Alfred e Go Buttler, existe uma nova vaga de "interfaces" de usuário. Estamos quase a voltar à época dos terminais de computadores dos anos 1980 com interfaces de texto. Várias empresas começam a prestar serviços através de "chats" (por exemplo, Whatsapp). 

 

- A IBM continua a fazer o seu caminho de inteligência artificial e "machine learning" com o Watson (que teve o seu salto para a fama ao vencer o Jeopardy, famoso concurso de televisão norte-americano). Cada vez mais as "máquinas" começam a entender e a responder em linguagem real. Esperemos que finalmente as assistentes virtuais como a Siri comecem a funcionar melhor de uma vez.

 

- Blockchains, a tecnologia por trás da famosa moeda virtual "bitcoin", teve direito a várias palestras. Esta tecnologia permite, entre outras coisas, descentralizar a confiança em certas transações ao distribuir o sistema de aprovação por um conjunto de pontos online. A aplicação a novos setores como os seguros pode representar grandes alterações aos modelos de negócio atuais.

 

Ao mesmo tempo que as "star-ups" parecem dominar o cenário, algumas grandes empresas como a GE estão desesperadamente a tentar criar o seu "cool factor" para conseguir atrair talento (que se sentem mais atraídos por empresas como o Google ou Facebook). Muito investimento em marketing está a ir nesta direção, apesar de muitas vezes soar como um adulto a tentar falar com uma criança na linguagem dela, algo forçado. A mudança digital tem de começar pela cultura da empresa e não pela publicidade. 

 

Do mundo do turismo e arte, veio o diretor do Victoria and Albert Museum em Londres. Os museus estão a ser confrontados com várias novas tecnologias, scanners 3D, impressoras 3D, realidade virtual e mista.  Por um lado, os museus querem partilhar as suas obras com o máximo número de pessoas possível, mas em simultâneo necessitam de manter visitas e manter o "copyright".  Não é claro ainda o caminho a seguir.

 

Acompanhando este setor, do meu ponto de vista é crítico e urgente que o poder político comece a entender o que está a acontecer no universo da tecnologia. Não há forma de parar estes avanços e alguém tem de regulá-los (sem cair em excessos). As questões éticas, legais, de segurança e privacidade vão atingir níveis nunca antes vistos.  A tecnologia ultrapassa fronteiras e com facilidade passa ao lado das leis que nunca foram concebidas para este tipo de situações, e os reguladores que não entendem na sua maioria o que está a suceder. Se não nos prepararmos, suspeito de que vamos ter desagradáveis surpresas mais adiante. Esperemos que esteja enganado.

 

Partner litsebusiness.com e professor de e-commerce e marketing digital na Nova SBE

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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