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David Bernardo davidbernardo@yahoo.com 08 de Outubro de 2013 às 00:01

Os idosos serão o próximo passo da Internet?

Dois dos principais problemas que a terceira idade enfrenta, designadamente a solidão e a mobilidade, têm o potencial de ser minimizados através da Internet e do "ecommerce" com benefícios sociais e económicos.

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Cada vez mais o tema dos idosos e reformados está na ordem do dia. O aumento da esperança média de vida, o crescimento da população nos anos a seguir à segunda guerra mundial ("baby boomers") e o consequente crescimento do número de pessoas na chamada terceira idade, justifica que este grupo tenha obtido uma relevância significativa. Análises sobre a população envelhecida, custo social, a par de histórias trágicas de isolamento e solidão, são notícias diárias. Só em Portugal, o número de pessoas com mais de 65 anos já ultrapassou o grupo etário com menos de 15 anos, aumentando gradualmente o número de pessoas com idade superior a 75 anos.


Dois dos principais problemas que este grupo etário enfrenta, designadamente, a solidão e a mobilidade, têm o potencial de ser minimizados através da "Internet" e do "ecommerce". No entanto, quando procuramos na "Internet" serviços e sites para segmentos específicos, nomeadamente crianças, heterossexuais, gays, pessoas com cabelo pintado, etc, encontramos de todos os tipos, mas se procurarmos sites e serviços "online" para idosos, são bastante escassas. As razões apontadas são óbvias: os idosos não usam tecnologia, muitos dos empreendedores nestas áreas são jovens que não entendem ou não se preocupam com este "target", entre outras. Está na hora de mudar esta situação.

Muitos dos serviços já disponíveis na Internet, como sejam supermercados e farmácias, ligações via "skype", banca "online", "Facebook", ou mesmo "dating services" (porque não poder conhecer e conviver com outras pessoas "online" ?) e jogos, têm todo o sentido passarem a ser utilizados por este segmento.

O que falta? Como no "marketing" de todos os produtos e serviços, falta entender o cliente, as suas características e necessidades específicas. Há que tornar as coisas mais simples e educar os consumidores. Acha impossível? Também há uns anos muita gente defendia que as pessoas idosas não iriam utilizar o telemóvel ou o multibanco, e hoje em dia já ninguém se surpreende. A nível de usabilidade a solução pode passar por menos botões, menos funcionalidades, textos e imagens maiores e apoio telefónico. Há que testar. Apesar de existirem tantos "tablets diferentes" no mercado, ninguém se lembrou de fazer um específico para este "target"? É necessário educar o cliente, incentivar a conversão, explicar as vantagens e promover testes grátis e descontos especiais para este segmento. São tudo ferramentas usadas diariamente para aumentar as vendas "online" e que podem ser aplicadas a este segmento.

Nesta época de crise em que o apoio social tem cada vez menos recursos, as empresas têm oportunidade de desenvolver um novo mercado com grande potencial económico a par da função social que o desenvolvimento de produtos e de serviços pode ter com este grupo etário. O verdadeiro conceito de negócio sustentável.

E enquanto a utilização da Internet por pessoas cada vez mais velhas não chegar a ser algo normal, vou-me enchendo de orgulho cada vez que recebo no México uma vídeo-chamada da minha avó através do seu "ipad".

Partner litsebusiness.com e professor de e-commerce e marketing digital na Nova SBE

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