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Paulo Carmona 17 de Fevereiro de 2020 às 22:20

E que tal deixarmos de ser pobres?

Em vez de criarmos riqueza, cria-se fumo com discussões que nada contribuem para o que é importante: Portugal a crescer para termos todos salários mais dignos, com mais riqueza para distribuir e poder melhorar os serviços públicos, infraestruturas, etc.

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A FRASE...

 

"‘Não matem’, pede Jerónimo. PCP contra referendo e eutanásia."

Lusa, 13 de fevereiro de 2020

 

A ANÁLISE...

 

E as questões ditas fraturantes aparecem, são aprovadas à pressa na Assembleia da República, talvez para "épater le bourgeois" e criar guerra e atrito, tão ao gosto da extrema-esquerda urbana, bem-pensante e trotskista. E hoje será esse debate, amanhã a regionalização e outro e mais outro urgente, com muita pressa, mas que realmente nos afastam do que é importante. O que os portugueses necessitam com urgência é de melhores salários, melhores condições de vida, uma saída para esta estagnação económica miserável que nos tem acompanhado nos últimos 20 anos. Nada disto estas discussões resolvem.

 

Curiosamente, na mesma semana que começaram os debates sobre a eutanásia, a Missão Crescimento publicou mais um barómetro sobre o emprego, salientando o crescente fosso salarial entre Portugal e a União Europeia. Portugal já é o segundo país da Zona Euro, depois da Letónia, com menor poder de compra. A remuneração média (PPS) do salário português era, em 2008, 73,2% da Zona Euro e em 2018 desceu para 64,8%. Continua a aumentar a proporção do salário mínimo, decidido por razões políticas, em relação ao salário médio, decidido por razões económicas ligadas obviamente à produtividade. Há pouca pressa em ajudar as empresas a serem competitivas e defendê-las, pelo contrário os privados continuam a ser uns malandros na ideologia dominante.

 

Em vez de criarmos riqueza, cria-se fumo com discussões que nada contribuem para o que é importante: Portugal a crescer para termos todos salários mais dignos, com mais riqueza para distribuir e poder melhorar os serviços públicos, infraestruturas, etc. E continuamos sem dinheiro, porque não existem políticas públicas, nem ambiente propício a que os portugueses sejam mais competitivos, e ganhem mais, fugindo dos salários de miséria. Sem isso continuamos no velho pântano do Eng.º Guterres. Muito "modernos" nos impostos e nos costumes, mas cada vez os mais pobres da Europa. Dos países da coesão, os mais pobres da União, Portugal tem sido dos que menos crescem. E nos próximos três anos seremos, dos pobres, o que menos cresce. Políticas para o crescimento e produção de riqueza, essas é que são urgentes! 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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