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Ebru Barutçu Gökdenizler 28 de Julho de 2016 às 20:28

A democracia do povo vigilante após o golpe falhado 

A 15 de julho de 2016, o mundo assistiu, em completa incredulidade e horror, à transformação de atividades clandestinas numa tentativa integral de golpe armado contra a ordem constitucional e as instituições democraticamente eleitas da República da Turquia.

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Foi um ataque terrorista de carácter totalmente novo. A tentativa de golpe foi lançada fora da cadeia de comando das Forças Armadas turcas, por um grupo reduzido de militares do exército que haviam jurado lealdade à organização terrorista Fethullah Gülen (FETÖ). A FETÖ é uma ordem de culto religioso que pretende tomar o poder para governar o Estado turco.

 

Esta tentativa sangrenta de golpe de Estado, ceifou a vida a cerca de 250 pessoas e feriu mais de 1.500 inocentes, civis, militares e policiais. Foi a primeira vez na história da Turquia que a Grande Assembleia Nacional turca, que representa a vontade soberana do povo, e a Presidência da República, entre outras instituições do Estado e do Governo, sofreram um intenso bombardeamento e o Presidente, democraticamente eleito, assim como outros responsáveis, foram alvo de conspiração de assassinato.

 

Naquela noite, a nação turca fez História, ao tomar as ruas, onde permanece vigilante deste então, para defender a democracia. Foram os corajosos heróis que, juntamente com a intervenção eficaz das forças de segurança e dos media, impediram a tentativa de golpe sinistro, salvando o futuro do país e o seu sistema secular democrático, das forças das trevas que procuravam destruí-lo. A nação foi claramente confrontada com a mais grave ameaça da sua história política, perpetrada por uma estrutura ilegal, a FETÖ, que tinha tentado infiltrar-se inteiramente no aparelho de Estado e nas suas forças armadas e de segurança. 

 

Todos os partidos políticos, com assento no Parlamento turco, mantiveram-se firmemente unidos contra esta tentativa de golpe de Estado e adotaram imediatamente uma declaração conjunta, condenando com toda a  veemência, o assalto à ordem constitucional democrática. Da mesma forma, as Forças Armadas turcas, sob o comando do seu chefe de Estado-maior, demonstraram o seu inabalável compromisso para com a democracia e o Estado de Direito.

 

O desenvolvimento trágico dos acontecimentos de 15 de julho demonstrou ainda, e de forma inequívoca, como a nação turca tem internalizado a democracia e como defende esses tão preciosos valores. A resistência heroica da nação turca, que provou, que tudo fará para proteger e salvaguardar a nossa democracia, será para sempre uma fonte de inspiração. 

 

No contexto das medidas em curso destinadas a garantir a ordem pública e a segurança, o Conselho de Ministros, de acordo com a recomendação do Conselho de Segurança Nacional, declarou o estado de emergência na Turquia, a partir de 21 de julho de 2016 e por um período de três meses. O artigo 120.º da Constituição autoriza a declaração do estado de emergência em caso de atos de violência com o intuito de abolir a democracia e os direitos e liberdades fundamentais no país. O estado de emergência foi declarado com o objetivo de eliminar totalmente e rapidamente a ameaça terrorista contra a nossa democracia, o Estado de Direito e os direitos e liberdades dos nossos cidadãos. É uma medida permitida ao abrigo do direito internacional, adotada por muitos Estados quando existe uma ameaça iminente contra a sua segurança e ordem pública, e não afetará a vida quotidiana dos cidadãos turcos ou daqueles que viajem para a Turquia assim como também não incluirá restrições aos direitos e liberdades fundamentais.

 

Após o enorme trauma na sociedade, o nosso país está a regressar rapidamente à normalidade. A economia turca já está a dar sinais de que não haverá nenhumas consequências negativas. As autoridades económicas tomaram todas as medidas para assegurar o funcionamento salutar dos mercados e um constante diálogo é mantido com os investidores. Os indicadores económicos mostram que o forte crescimento se mantém no segundo trimestre e que a Turquia continua a criar emprego.

 

Os valores atingidos, durante o assalto de 15 de julho, são os nossos valores comuns. Assim sendo, agradecemos profundamente as muitas mensagens de apoio, recebidas de amigos e aliados, que se apressaram a condenar o golpe e a declarar o apoio à nossa ordem constitucional e às nossas instituições democráticas.

 

No entanto, agora, no pós-golpe, observamos com grande consternação e profunda deceção, a abordagem de alguns que questionam os valores democráticos da Turquia. Isto é simplesmente inaceitável. Sentimos grande indignação face aos muitos artigos de opinião, editoriais e notícias, inclusive no seu jornal, baseados em alegações infundadas, teorias de conspiração e profecias apocalípticas criando sensacionalismo e até mesmo histeria. Apelo a todos os seus leitores e colunistas, que têm particular interesse na Turquia, para que tentem compreender bem a traição cometida e o alcance do perigo evidente e atual que a FETÖ representa para a Turquia.

 

Neste contexto, estamos a aguardar com urgência, por parte dos nossos aliados da NATO e da UE, maior compreensão, empatia, solidariedade, apoio e cooperação com a Turquia e o povo turco, enquanto o mesmo permanece vigilante, dia e noite, defendendo a democracia e assegurando que jamais possa ocorrer de novo um tal cerco aos nossos preciosos valores de democracia, secularismo e de Estado de Direito.

 

Embaixadora da Turquia

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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