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Ricardo Evangelista 31 de Outubro de 2019 às 09:50

A importância da literacia financeira

A prosperidade de uma sociedade depende, em larga medida, da riqueza dos indivíduos que a compõem, pelo que a literacia financeira constitui, assim, um dos pilares fundamentais para um desenvolvimento harmonioso e sustentado.

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A literacia financeira, ou a falta dela, desempenha um papel extremamente importante no quotidiano de todos nós, independentemente da idade, profissão ou estatuto social. Em última análise, podemos mesmo afirmar que a prosperidade e o equilíbrio de uma sociedade correspondem ao grau de literacia financeira dos seus cidadãos. É, por isso, fundamental entender conceitos como os de dívida, poupança, orçamento ou investimento.

 

A dívida pode assumir um impacto positivo nas nossas vidas quando nos endividamos para financiar a nossa educação ou para comprar uma casa, por exemplo. Contudo, quando se recorre a cartões de crédito para adquirir produtos não indispensáveis ou para se ir de férias, tal tem, muitas vezes, um efeito nefasto nas finanças das famílias e advém, tipicamente, da falta de literacia financeira. A poupança, por sua vez, é indispensável para garantir segurança no futuro. O primeiro passo para poupar é ter um orçamento que permita planear e gerir o dinheiro. Embora existam muitas aplicações financeiras que permitem estabelecer planos de poupança, mesmo com valores de entrada baixos, muitos de nós desconhecem ou preferem ignorar, não orçamentando e vivendo no limite das possibilidades. Acontece que se não orçamentarmos, será difícil poupar e, sem poupanças, não conseguiremos depois investir.

 

A literacia financeira é, de um modo geral, esta articulação de conceitos que, uma vez aplicada ao nosso dia a dia, é o que permite evitar a dívida destrutiva, acumular riqueza e fazê-la crescer através do investimento.

 

Uma análise empírica da nossa sociedade aponta para um grau de literacia financeira baixo, visível no simples facto de muitos não entenderem sequer os principais perigos do crédito, que, quando utilizado de forma irresponsável, pode levar à ruína, e na falta de capacidade para avaliar oportunidades e opções de investimento. Nos dias de hoje, em que os benefícios sociais estão a diminuir cada vez mais, surpreende que tão poucos apostem em planos de poupança-reforma, por exemplo. Mas a que se deve este contexto? Talvez a origem do problema esteja na educação, já que os currículos escolares tendem a omitir a literacia financeira. Porém, também na sociedade em geral, o tema não se encontra no topo da agenda de discussão, sendo normalmente relegado para segundo plano, num palco dominado pelo futebol e pela pequena política.

 

A prosperidade de uma sociedade depende, em larga medida, da riqueza dos indivíduos que a compõem, pelo que a literacia financeira constitui, assim, um dos pilares fundamentais para um desenvolvimento harmonioso e sustentado. Uma sociedade composta por indivíduos com um grau elevado de literacia financeira será mais próspera e menos desigual. Além disso, será também mais democrática, já que o entendimento de muitos temas económicos, e não só, aumentará, permitindo decisões mais informadas e conscientes.

 

Neste sentido, é importante a dinamização de iniciativas que sejam espaços de reflexão e partilha de conhecimentos sobre a atualidade do mundo económico, financeiro e tecnológico e que procurem envolver e consciencializar os cidadãos para estes temas. Afinal, a responsabilidade de elevar o nível de literacia financeira é de todos nós: políticos, instituições de ensino, comunicação social e empresas.

 

Analista Sénior da ActivTrades

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