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Joaquim Aguiar 11 de Junho de 2013 às 00:01

A turbulência na Grande Divergência

É nesta ignorância, dos pilotos, das tripulações e dos passageiros, que acontecem os naufrágios trágicos.

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A frase...

 

"Em 2013, pela primeira vez desde que a mecanização colocou Inglaterra na via da industrialização, no século XIX, as economias emergentes produzirão mais de metade dos bens e serviços no mundo. (…) Para além de produzirem mais de metade da produção mundial, as economias emergentes serão responsáveis por três quartos do crescimento da economia mundial durante os próximos cinco anos. (…) Esta mudança dos centros de poder económico é de tal ordem que qualquer empresa que continue a concentrar os seus esforços nas economias estabelecidas está, de facto, a viver no passado".

 

Chris Glies, Kate Allen, "Southeastern shift: the new leaders of global economic growth", Financial Times, 4 de Junho de 2013.

 

A análise...

 

No fim do século XVIII, as economias da China e de Inglaterra estavam em níveis semelhantes de desenvolvimento. Nas primeiras décadas do século XIX, a Inglaterra industrializou-se e organizou novos mercados na sua expansão colonial, obtendo matérias-primas e criando procura para os seus produtos da industrialização, enquanto a China permaneceu centrada nos seus equilíbrios internos, na sua dependência da extracção tributária e fechada sobre si mesma. Este foi o processo da Grande Divergência, no qual se fundou a longa supremacia do Ocidente sobre o Oriente.

Nas primeiras décadas do século XXI, o centro de gravidade da economia mundial desloca-se, no que poderá vir a ser uma nova Grande Divergência, ficando de um lado as economias estagnadas das sociedades desenvolvidas maduras e do outro lado as economias em crescimento das sociedades competitivas com vitalidade. Como aconteceu no século XIX, os que perdem são os que ficam presos nos equilíbrios do passado e não reconhecem que o tempo dos rendimentos crescentes os conduziu ao tempo dos rendimentos decrescentes.

Fixadas nos acidentes da crise superficial, as sociedades maduras desenvolvidas, de preferências sociais distributivas, ignoram a força das correntes de fundo que são o motor das sociedades emergentes competitivas. É nesta ignorância, dos pilotos, das tripulações e dos passageiros, que acontecem os naufrágios trágicos.

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