José Maria Brandão de Brito
Paulo Sousa
José Maria Brandão de Brito | Paulo Sousa 12 de novembro de 2019 às 20:20

BERD: apoiar a internacionalização das empresas portuguesas

Portugal é acionista fundador e empenhado na promoção do banco entre as empresas portuguesas, através da crescente presença de portugueses na gestão do banco e na representação permanente do Governo português nos seus órgãos estatutários.

O Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD), com sede em Londres, investe cerca de 10 mil milhões de euros anuais, prioritariamente no setor privado dos 38 países em que opera (de Marrocos à Mongólia). Nos últimos trinta anos investiu aproximadamente 140 mil milhões de euros (em mais de 5.500 projetos) em áreas diversas como infraestrutura, energias alternativas, setor bancário, indústria e comércio. Durante esse período apoiou investimentos portugueses no estrangeiro de quase 2 mil milhões de euros, tendo financiado aproximadamente 75% desses investimentos.

 

Portugal é um acionista fundador do BERD, instituição  criada em 1991 na sequência da desagregação da União Soviética, para apoiar a transição dessas economias centralizadas para economias de mercado sustentáveis que promovam o desenvolvimento e o  fortalecimento de sociedades democráticas.

 

Se o mandato do banco se manteve fiel à visão dos seus fundadores, o conceito de economia de mercado sustentável tem vindo a ser aperfeiçoado ao longo das últimas três décadas e incorpora agora múltiplas dimensões como a competitividade, o nível de integração regional e internacional, a resiliência económica e financeira, a sustentabilidade ambiental, a robustez do governo corporativo e os níveis de inclusão social.

 

Esse apoio ao desenvolvimento e à melhoria de políticas traduz-se em financiamento, tomada de posições no capital de empresas, prestação de consultoria técnica e diálogo permanente com governos e organizações governamentais ou não governamentais.

 

O sucesso do BERD resulta do conhecimento profundo do setor privado e das realidades locais através da sua presença física em cada país, da sua situação financeira sólida (rating AAA), e do empenho dos seus 71 acionistas, dos quais 69 governos, a União Europeia e o Banco Europeu de Investimento.

 

Portugal é acionista fundador e empenhado na promoção do banco entre as empresas portuguesas, através da crescente presença de portugueses na gestão do banco e na representação permanente do Governo português nos seus órgãos estatutários.

 

Numa altura em que a economia portuguesa recupera a autoconfiança depois dos anos difíceis de austeridade e olha com ambição para os mercados internacionais, o BERD é mais um instrumento disponível para apoiar essa expansão, diretamente ou em parceria com o setor bancário tradicional.

 

À medida que o modelo do BERD dá provas de sucesso, a sua pegada geográfica tem vindo a ser expandida e incorpora agora mercados de grande potencial para Portugal. Nesse contexto está em curso um debate entre acionistas sobre uma potencial expansão das atividades do Banco para novas regiões (nomeadamente a África Subsariana).

 

Na medida em que o setor privado tem um papel central no cumprimento dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, Portugal e as empresas portuguesas podem participar ativamente neste processo. E o BERD, como a plataforma multilateral que é, pode facultar o diálogo internacional numa época de isolacionismos crescentes.

 

No âmbito do evento "The Multilateral Days", organizado em Lisboa pela AICEP (M. Economia) e GPEARI (M. Finanças), entre 19 e 21 de novembro vários representantes do BERD farão apresentações sobre como este banco de desenvolvimento pode ajudar as empresas portuguesas nos seus processos de internacionalização.

 

José Maria Brandão de Brito - Administrador do BERD, Portugal/ Grecia e San Marino

Paulo Sousa - Vice Presidente e CFO do BERD

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