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José M. Brandão de Brito 16 de Setembro de 2016 às 00:01

Empregos do futuro: psicologia e outros  

O crescimento económico global está em declínio. Nos países desenvolvidos, a geração de riqueza "per capita" estagnou. Não há estratégia de política económica que não tenha sido tentada para solucionar a questão, mas sem sucesso.

Talvez porque o paradigma tecnológico-económico-social vigente esteja a aproximar-se do limite, à medida que se vão exaurindo os contributos dos fatores que determinaram o progresso do último século: automação, urbanização, integração das mulheres no mercado de trabalho e globalização. Isto significa que poderemos estar à beira do fim de uma era.

 

Como sempre acontece nestas fases da História, o mundo divide-se entre pessimistas e otimistas. (Para que fique claro eu situo-me no segundo campo, porque os otimistas passam melhor do estômago e têm a história do notável progresso humano do seu lado.)

 

Entre os pessimistas figuram aqueles que consideram que as inovações verdadeiramente transformadoras, como a eletricidade, o motor de combustão e o saneamento básico, não se repetirão, pelo que os respetivos ganhos de produtividade jamais se voltarão a verificar. Do lado oposto estão aqueles que acreditam que está em curso a quarta revolução industrial, baseada na robotização em massa, na dispersão universal das impressoras 3D, na inteligência artificial e na redução brutal do custo da energia (sobretudo da renovável). A confirmar-se, esta transformação provocaria um salto hoje inconcebível da capacidade produtiva, elevando de forma impensável as possibilidades de consumo. A consequente explosão da produtividade, além de proporcionar aumento de conforto material, permitiria também elevar o tempo livre da generalidade das pessoas, tornando as sociedades mais abastadas e menos sobrecarregadas.

 

O nirvana? O fim da História? Não, claro que não. A natureza humana encarregar-se-á de continuar a criar problemas e preocupações à humanidade, além de que uma alteração do paradigma tecnológico com os contornos acima descritos certamente eliminaria, a prazo, um conjunto alargado de ocupações, sobretudo as que consistem em operações repetitivas e de precisão. Claro que é impossível prever o que irá acontecer no domínio laboral, mas parece seguro asseverar que muitas profissões desaparecerão, assim como surgirão outras tantas. Porém, provavelmente estes novos empregos não chegarão para ocupar todos aqueles que o progresso tecnológico tornará obsoletos. Como a formação académica e profissional é extremamente dispendiosa em termos de tempo e de dinheiro, a incerteza quanto ao futuro profissional deverá ser um problema ainda maior para os jovens e seus pais.

 

Neste contexto, a educação formal deve garantir uma base sólida, que confira aos futuros trabalhadores a flexibilidade necessária para acompanhar as tendências do mercado de trabalho. Por essa razão devem evitar-se formações académicas prolongadas, até porque a robotização e a inteligência artificial reduzirão muito a procura por trabalho qualificado. Por outro lado, a prosperidade acrescida e o maior tempo livre das pessoas aumentará a procura por serviços personalizados. Psicólogos que tratem os nossos traumas, educadores que estimulem os nossos filhos, músicos que alegrem os nossos serões, são tudo empregos que deverão ter saída quando o próximo salto tecnológico nos retirar do torpor económico e social em que a sociedade contemporânea se atolou.

 

Chief economist do Millenniumbcp

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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