Ângelo Ramalho
Ângelo Ramalho 29 de abril de 2018 às 20:30

Inovação: mais valor acrescentado para Portugal

Os ganhos trazidos pela tecnologia e pela inovação fazem com que, em pleno século XXI, Portugal possa conquistar um espaço de referência na chamada indústria 4.0.

É prática comum falar-se que Portugal precisa de apostar na modernização tecnológica, de tirar partido das novas tecnologias para conseguir apresentar produtos e soluções com mais valor acrescentado. Encontrar a forma adequada de concretizar esta ambição é o principal desafio com que as empresas portuguesas se debatem, desde logo as que procuram ser bem-sucedidas no mercado global.

 

A necessidade de crescer, de ter uma presença internacional mais forte, de ganhar dimensão para ombrear com concorrentes de outras geografias mundiais, são motivações com as quais contactamos diariamente quando se aborda o universo empresarial português. Contudo, no momento de desenhar a melhor estratégia para concretizar esta ambição, deparamo-nos com a manutenção de formas de atuação desenquadradas da realidade do mercado internacional, resultantes de alguma resistência à mudança. De facto, a realidade de hoje mostra-nos que não é mais possível continuar no paradigma dos ganhos de competitividade apoiados em mão de obra barata. Insistir nesse modelo é perder uma oportunidade de ouro para crescer com valor acrescentado; atuar na base pelo desenvolvimento de competências e da forma de as organizar, pela melhoria de processos, e no topo pela incorporação de atributos distintivos nos nossos produtos e serviços é o caminho incontornável.

 

Historicamente, Portugal nunca conseguiu ser bem-sucedido na aplicação das várias revoluções industriais iniciadas em outros países europeus. No entanto, os ganhos trazidos pela tecnologia e pela inovação fazem com que, em pleno século XXI, Portugal possa conquistar um espaço de referência na chamada indústria 4.0. O digital é irreversível, mas continuamos a necessitar das pessoas, da sua experiência e competência, para tirar o melhor partido das tecnologias.

 

Portugal tem dado passos interessantes no domínio da inovação sempre que reforça o binómio universidades/empresas. As empresas têm de ajudar a desenvolver o nosso sistema científico-tecnológico e saber tirar partido disso. Aprofundar e aperfeiçoar este modelo é decisivo para a indústria portuguesa e, consequentemente, para a diversificação e robustez da economia nacional. As áreas da aviação, da indústria automóvel, da mobilidade elétrica, das energias limpas e da gestão de sistemas de energia, da automação são exemplos onde Portugal tem sido bem-sucedido, desenvolvendo produtos, soluções e serviços que são acolhidos como casos de sucesso em mercados sofisticados do Norte da Europa e na América do Norte.

 

Crescer nas cadeias de valor é necessário. É um caminho que não depende de uma dimensão crítica ou da localização geográfica, mas antes do talento, da capacidade de atrair, reter e desenvolver o capital humano e da capacidade de inovar. É certo que não basta a vontade empresarial pois o Estado pode e deve dar o seu contributo para aliviar os constrangimentos "tradicionais" ligados à burocracia, impostos, regulações fiscais e legislação laboral, sem esquecer um incentivo na aposta na formação e no acesso ao financiamento e à inovação. Mas sem uma capacidade de reinvenção e de lançar a disrupção, Portugal não conseguirá alterar o seu posicionamento concorrencial no mercado global. É necessário dar o passo em frente e deixar de colocar a tónica em atividades de reduzido valor acrescentado e baixa intensidade tecnológica.

 

A resposta ao desafio de crescer nas cadeias de valor requer o envolvimento de múltiplo fatores. Não existindo uma única solução, nem tão-pouco "milagrosa", surgem como fatores críticos de sucesso a aposta na qualificação das pessoas, a intensidade de conhecimento numa postura constante de questionamento e de busca de novas soluções para novos desafios, a aposta na tecnologia, uma posição mais competitiva, com maior proximidade aos mercados e clientes e, acima de tudo, ter a capacidade de antecipar as necessidades e as tendências futuras.

 

CEO da Efacec

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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