Guilherme W. d’Oliveira Martins
Guilherme W. d’Oliveira Martins 17 de setembro de 2019 às 20:52

Mobilidade: que futuro?

É necessário os autarcas deste país avancem com medidas e investimentos que promovam outras soluções de transporte que se tornem uma verdadeira alternativa aos automóveis.

A quarta revolução industrial acelerou o desenvolvimento recente das tecnologias da mobilidade e com esta grandes oportunidades surgiram: mais segurança, redução dos tempos improdutivos e na evidente descarbonização das cidades, com melhorias significativas ambientais. Mas há riscos, como perda de postos de trabalho, ou até mesmo o afastamento das pessoas dos transporte públicos. 

 

Em especial, e estamos na semana adequada para essa discussão, na mobilidade suave partilhada, reconhecida promotora de eficiência, a linha de evolução é ainda maior e mais potenciadora de efeitos positivos, do que negativos. Por um lado, introduz forte racionalização nas escolhas individuais, pela oscilação de meios ligeiros (motociclos, bicicletas, trotinetes), por outro, melhora o esclarecimento do utilizador, estando em causa a coexistência dos transportes públicos.

 

Os dados nacionais recentes ainda indicam que há muito a fazer. De acordo com o Bike Friendly Index (http://www.bikefriendlyindex.com/), uma iniciativa oriunda da Faculdade de Arquitetura de Lisboa, os valores de 2018 são de apenas 2,3 (numa escala de 0 a 10), tendo em conta cinco dimensões avaliadas: (1) declive; (2) ambiente construído; (3) infraestruturas; (4) compromisso político; (5) utilização da bicicleta. Os valores mais baixos dizem respeito a infraestruturas cicláveis (0,62) e compromisso político (0,28).

 

Por isso, tão ou mais importante do que promover alterações de comportamentos das pessoas nos seus hábitos de mobilidade, devemos começar por alterar a forma de pensar e planear das cidades. É necessário os autarcas deste país avancem com medidas e investimentos que promovam outras soluções de transporte que se tornem uma verdadeira alternativa aos automóveis. Se não o fizerem agora, arriscam-se a que as suas cidades percam o momento do desenvolvimento. A revolução da mobilidade já está acontecer em toda a Europa.

 

Advogado na Macedo Vitorino & Associados

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