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Fernando Ilharco 24 de Fevereiro de 2017 às 00:01

O primeiro do grupo

Quem num grupo de pessoas, numa equipa profissional, numa organização poderá ser mais importante, mais determinante para o sucesso, do que o seu líder? O primeiro seguidor é a resposta. Aquele que mais sequência, justificação e apoio dá ao trabalho do líder.

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O primeiro seguidor – e a palavra seguidor não é a melhor, mas é a que se usa e não parece haver outra… – "é a pessoa que primeiro se junta a um líder, ou a um potencial líder, a alguém que sugere um certo comportamento, uma forma nova, diferente, de fazer as coisas," diz Derek Sivers, investigador e empreendedor neozelandês.

Claro que quando se inicia um projecto ou se toma uma nova posição, quando se pretende mudar as coisas, seja em termos sociais seja na vida profissional, o líder é quem mais pode fazer a diferença. Tem de ter coragem de se expor e de eventualmente não ser seguido… e fazer má figura. Mas a partir desse momento, do enunciar do projecto, da visão e da mudança, o primeiro seguidor é quem é mais importante. Por exemplo, quando alguém na organização diz que não é mais possível fazer as coisas da mesma maneira, que as vendas continuam a descer e as pessoas estão mais desmotivadas do que nunca... o ambiente fica tenso e todos esperam que alguém diga ou faça alguma coisa. Espera-se e às tantas alguém avança, um director, um líder de projecto, diz que é necessário lançar novos serviços, redistribuir responsabilidade e cortar com a burocracia; e propõe meia dúzia de acções concretas.

Muita gente sente o mesmo, mas ninguém se chegou à frente… Até agora. Agora há um líder potencial. Vai ter sucesso? Depende. Depende de muitas coisas, mas naquele momento depende de surgir ou não um primeiro seguidor, um primeiro membro da equipa. "O papel do primeiro seguidor é crucial", diz Sivers, "ele vai mostrar aos outros o que deve fazer-se".


Nestes processos de mudança, de viragem, de início de uma dinâmica grupal, é chave o líder receber o primeiro a chegar como alguém igual a ele. A partir daí a questão deixa de ser individual e passa a ser colectiva, passa a ser um desafio da organização. A expectativa cresce, junta-se mais um e outro e outro ainda e o grupo ganha dinâmica. Sivers diz que o papel do primeiro seguidor é uma forma não valorizada de liderança. "O primeiro seguidor é quem transforma verdadeiramente um ‘maluco’ num líder." Dizendo o mesmo, escreveu Friedrich Nietzsche, o filósofo alemão, no seu estilo cru e irónico, "o mais importante entre nós, o mais perigoso talvez, é o primeiro seguidor, o profissional exemplar, o sempre leal, aquele cuja desmotivação e fuga poderia destruir toda a obra".

Concluindo: quantas pessoas são então necessárias para iniciar um projecto, uma mudança, uma causa? Duas. O líder e o primeiro seguidor, que é quem verdadeiramente é crucial no arranque. 

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