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O reforço do papel internacional do euro beneficia a economia europeia

A moeda única europeia, o euro, é partilhada por 19 Estados-membros e utilizada diariamente por 340 milhões de cidadãos europeus. Além disso, cerca de 60 países em todo o mundo utilizam o euro ou indexam o valor das suas moedas à nossa.

Juntamente com o espaço único de pagamentos em euros (SEPA), o euro apresenta muitas vantagens práticas, nomeadamente para as empresas de média dimensão orientadas para a exportação: permite estabelecer cadeias de valor transfronteiras e internacionais sem custos de transação cambial e oferece proteção contra os riscos cambiais, tornando os pagamentos transfronteiras tão fáceis como os pagamentos nacionais.

 

Em 2019, temos de ir ainda mais longe. As empresas europeias, sejam elas pequenas ou grandes, operam em todo o mundo há anos. No entanto, com a emergência de novas potências regionais e a reorientação económica para o Leste, o mundo está a tornar-se mais multipolar. Ao mesmo tempo, o sistema económico internacional multilateral, baseado em regras, tem vindo a ser cada vez mais posto em causa. Neste contexto, a Europa precisa de tirar melhor partido dos seus próprios instrumentos para promover o comércio internacional e a integração económica.

 

O euro já é a segunda moeda de reserva mais utilizada no mundo, depois do dólar americano. As duas moedas encontram-se em pé de igualdade em matéria de pagamentos internacionais. Se aproveitarmos esta situação para reforçar o papel internacional do euro, poderemos também a reforçar a nossa própria soberania.

 

Os benefícios são múltiplos: um euro internacional mais forte pode tornar a economia mundial menos dependente de uma só moeda e menos vulnerável a choques. As empresas europeias poderão mais facilmente realizar transações internacionais em euros reduzindo riscos e custos reduzindo a vulnerabilidade face a interferências políticas de países terceiros. Por último, mas não menos importante, um euro forte permite-nos ser mais independentes a nível internacional e proteger melhor os nossos cidadãos e empresas.

 

Como reforçar o papel internacional do euro?

 

O valor de uma moeda mede--se pela solidez das bases em que assenta. Por esse motivo, importa concluir a arquitetura do euro. Os recentes progressos no domínio da União dos Mercados de Capitais representam um passo em direção a uma maior integração dos mercados de capitais na Europa, suscetível de melhorar o financiamento da economia e de aumentar o leque de escolhas para os investidores. Além disso, precisamos de mercados mais líquidos para os valores mobiliários denominados em euros. Por último, uma União Bancária plena, com bancos mais fortes e mais bem regulamentados, reforçaria ainda mais a confiança no setor financeiro da UE e na moeda única.

 

Em segundo lugar, temos de promover a utilização do euro no comércio internacional. Tal aplica-se a uma série de setores estratégicos, como a indústria alimentar, a aeronáutica, os transportes e as matérias-primas. O setor da energia é particularmente importante: atualmente, mais de 80 % das importações de energia a nível da Europa são denominadas e pagas em dólares americanos. Por este motivo, a Comissão está a realizar consultas sobre a forma de promover a utilização do euro a nível dos contratos e das transações nestes setores.

 

Por último, é necessário garantir que a Europa e o euro dispõem de infraestruturas financeiras e de mercado sólidas e suficientemente protegidas contra influências externas. Um exemplo é a infraestrutura que nós, europeus, utilizamos diariamente para os nossos pagamentos: atualmente, esta área é dominada por um pequeno número de fornecedores de cartões de crédito, sendo que as grandes empresas tecnológicas estão cada vez mais presentes no mercado. No entanto, as novas tecnologias oferecem muitas oportunidades para construir sistemas de pagamento europeus novos, eficientes e diversificados. A título de exemplo, graças à nova tecnologia de pagamentos instantâneos, os clientes poderiam efetuar pagamentos eletrónicos em toda a Europa numa questão de segundos. Ao desenvolvermos os nossos próprios sistemas e soluções de pagamento imediato, poderemos reforçar a independência da Europa na cena mundial. A infraestrutura necessária já existe e a Comissão Europeia tem vindo a apoiar o desenvolvimento de normas de interoperabilidade entre as diferentes tecnologias dos Estados-membros.

 

Evidentemente, cabe aos mercados globais, em primeiro lugar, decidir quais as moedas que querem utilizar. Não obstante, os pontos que referi são vetores sobre os quais podemos agir para tornar o euro numa escolha mais atrativa e, assim, promover a sua utilização nos mercados internacionais. No interesse dos nossos cidadãos, das nossas empresas e da independência futura da Europa a nível mundial, temos de tirar um melhor partido das oportunidades que a nossa moeda única oferece.

 

Vice-Presidente da Comissão Europeia

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