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João Costa Pinto 12 de Setembro de 2016 às 19:05

O futuro da banca no Euro - (LXXIX)

O movimento de integração europeia tem sido condicionado pela incapacidade política para enfrentar os bloqueamentos que estão a fragmentar política e economicamente a Europa do euro.

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1. Incapacidade que tanto reflecte a progressiva irrelevância política da Comissão, como a hegemonia económica e doutrinária da Alemanha. Como resultado, as economias do euro têm vindo a absorver o impacto de políticas públicas subordinadas a princípios rígidos de austeridade fiscal. Ao mesmo tempo que se verifica um movimento de reconfiguração dos mercados bancários, que está a afectar negativamente o financiamento. Pressões depressivas que neutralizam parte dos impulsos favoráveis que decorrem: das baixas taxas de juro, do baixo preço da energia e da evolução cambial do euro. No caso das economias muito endividadas, esta evolução é ainda mais visível. Mesmo no nosso caso, em que o Governo procurou dar algum impulso à economia pela via da procura, o crescimento mantém-se reprimido. Mas, além disso, a evolução recente da Zona Euro tem vindo a ser marcada pela emersão de uma poderosa elite de tecnocratas, formada sobretudo em torno de dois "centros de poder" - BCE e DGConcorrência. Emersão acelerada pela implantação de um modelo inacabado de União Bancária, num quadro de crescente fragmentação política. Questão que assume uma importância crítica em relação a um dos problemas centrais com que a Europa do euro se debate. A situação de fragilidade dos mercados bancários e do papel futuro destes, tanto no financiamento das economias, como no plano da globalização. No vazio deixado pela ausência de uma intervenção política integrada a nível europeu, é a acção deste "grupo não eleito" que está a conduzir a União Monetária e a modelar uma das componentes centrais do sistema económico da Zona Euro - os mercados financeiros.

  1.  

    2. Danièle Nouy - responsável executiva do Mecanismo Único de Supervisão (SSM, em inglês) -, numa entrevista recente, fez depender o sucesso da Supervisão Única da criação de um sistema bancário europeu integrado por megabancos - "(…) a truly homogeneous banking system, formed by large euro area banks engaging in banks activities throughout the euro area with branches and subsidiaries (…)*. Desconsiderando preocupações de soberania, de natureza política e financeira ou mesmo técnico-operacionais, condena à irrelevância - ao desaparecimento (?!) - a generalidade dos bancos periféricos, com fortes reflexos negativos no seu valor de mercado. Se esta é a opinião dominante no BCE - seria estranho que não fosse - levanta questões de grande complexidade sobre o futuro da Zona Euro e sobre a posição nesta das economias mais frágeis. Entre nós, além de complicar a resolução dos diferentes problemas que afectam os nossos bancos, acentua a importância estratégica do Grupo Caixa, e, em menor escala, da Banca Cooperativa e Mutualista. Questões para outro dia.

     

    (*) "Um sistema bancário verdadeiramente homogéneo, formado por grandes bancos da área do euro, operando através de agências e subsidiárias."

        

 

Economista

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