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O povo não substitui as elites

Portugal é hoje um país de "lobbies" entrincheirados, que impedem qualquer mudança. Nem a pressão de um duríssimo programa de ajustamento, motivado por uma bancarrota iminente, conseguiu mudar este estado de coisas.

O Presidente da República aproveitou as comemorações do 10 de Junho para por a nu um problema antigo da nossa sociedade: o défice de elites. E lembrou que foi "sempre o povo a lutar por Portugal (...) mesmo quando algumas elites - ou melhor, as que como tal se julgavam - nos falharam...".

 

O diagnóstico está certo. A falta de elites é uma das razões que explicam o nosso défice de desenvolvimento. E como a política tem horror ao vazio, o espaço deixado vago pelas elites é preenchido por alguém: em alguns momentos pelo povo, como diz Marcelo; em outros, a maioria, pelos grupos de interesses (aquilo que o Presidente não disse).

 

O retrato das últimas décadas é bem o espelho disso. Portugal é hoje um país de "lobbies" entrincheirados, que impedem qualquer mudança. Nem a pressão de um duríssimo programa de ajustamento, motivado por uma bancarrota iminente, conseguiu mudar este estado de coisas.

 

Não se fazem reformas estruturais em quatro anos? Não. Mas lançam-se as bases. E depois implementam-se. Não é isso que se passa. Há recuos nas privatizações, legislação laboral, despesa pública, redução do peso do Estado, fiscalidade das empresas...

 

É aqui que o povo não faz a diferença: perante os disparates, e a força dos "lobbies", umas vezes vocifera (vg o que se passa na banca), outras manifesta-se (Educação)... Mas no fim fica tudo na mesma. O que isto mostra é que nenhum país prospera sem elites. Pensar que o povo as pode substituir é uma ilusão. Enquanto não percebermos isso, o nosso destino será correr atrás do prejuízo.

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