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O rei sol

Há algumas pessoas que acreditam que existe um sistema solar. Como houve quem achasse que o sol rodava à volta da Terra. Descobriu-se, muitas cabeças cortadas depois, que era a Terra que girava à volta do sol. Carrilho é um político diferente: acredita qu

Mas na idade em que reescreve a história e em que até a política vai de joelhos até ao altar da imagem, tudo é possível.

Carrilho é um político diferente: acredita que o sol gira à sua volta. A sua redacção, no «Público» de ontem, demonstra isso. Pretende sublinhar que não é feiticeiro mas, num gesto de modéstia, diz que fez o melhor trabalho na cultura após o 25 de Abril. Só faltou dizer que escrevia tão bem como António Ferro e que tinha conseguido juntar à sua volta pessoas como Almada Negreiros. Porque aí teria sido o homem da cultura desde 1926. Mas a sua auto-estima só vai até essa data: consegue não dizer que foi a mais brilhante criatura desde Afonso Henriques.

Carrilho gosta de ter uma corte cultural, daquela que diz que Bárbara Guimarães se «converteu» ao «jornalismo cultural» depois de casar com ele. Que o desculpa de tudo e ilumina os seus neurónios. Carrilho quer ser o rei sol do burgo. É um direito. Mas, pelo andar da carruagem iluminada pelos holofotes do seu ego, vai ser apenas um pirilampo. Não tão mágico como o outro.

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