Luísa Val-de-Rã
Luísa Val-de-Rã 10 de julho de 2019 às 17:23

Queremos andar para trás?

É imperativo continuar a ajudar as nossas empresas a chegarem a novos mercados, e de levarem o nome de Portugal consigo, ao mesmo tempo que atraem capital.

Sabemos hoje que a economia portuguesa vai continuar a crescer, mas a um ritmo mais desacelerado. Estima-se que este crescimento vai ser impulsionado mais pela procura interna do que pelas exportações. Sinal da mudança dos tempos (esperemos que não), é o facto de, em abril deste ano, as exportações portuguesas terem aumentado apenas 3,2% e as importações 10,9% face ao mesmo mês de 2018. Onde é que isto nos leva? Leva-nos a 2011, com Portugal, segundo os últimos dados do Banco de Portugal, a interromper o período de saldos positivos na balança de bens e serviços que se tinha iniciado em 2012.

 

É verdade que vivemos num clima totalmente distinto, quer a nível económico, quer social, mas devemos manter o pé no acelerador das exportações, e esperar ter aprendido com a nossa (má) mais recente experiência. É que as exportações foram, sem sombra de dúvida, a componente da procura global que mais contribuiu para a recuperação da nossa economia. É imperativo continuar a ajudar as nossas empresas a chegarem a novos mercados, e de levarem o nome de Portugal consigo, ao mesmo tempo que atraem capital. Mas não só. Temos, também, de continuar a apoiar o nosso tecido empresarial na criação de vantagens comparativas face a outras economias. Ajudar o nosso capital humano a desenvolver novos negócios. É que, novos negócios impulsionam a abertura a novos mercados.

 

Há cada vez mais start-ups, negócios locais e empresas nacionais que aproveitam, e bem, o potencial do capital humano e empresarial português para nos mostrar ao mundo. Há ainda os negócios tradicionais, como a indústria têxtil ou do calçado, apenas para mencionar alguns, que, mesmo na altura do período conturbado que vivemos há não muito tempo, foram dos grandes impulsionadores da economia portuguesa. PME e grandes indústrias, que contribuíram para um maior equilíbrio da economia nacional e para manter e elevar o bom nome de Portugal além-fronteiras, porque se souberam reinventar e olhar mais além. São estes atores que têm de ser apoiados com ferramentas que suportem o seu caminho por novos mercados.

 

Não vale a pena criarmos entraves internos, se já nos deparamos com barreiras externas que não podemos controlar. Ficamos a saber que, em 2018, foram criados constrangimentos às exportações de empresas europeias, por parte de 59 mercados. Barreiras que têm um custo brutal para o nosso tecido empresarial. Vivemos, e convivemos, com uma guerra comercial entre a China e os Estados Unidos que, ainda assim, pode também ser uma oportunidade para as empresas portuguesas. Como em 2011, os grandes desafios são grandes oportunidades. Agora, olhando para todo o panorama com que nos deparamos resta saber para onde queremos ir. Queremos andar para trás?

 

Sales & Marketing Manager da Eurofactor Portugal

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